<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-2040266667686250728</id><updated>2011-11-27T21:34:00.488-02:00</updated><category term='sexo'/><category term='crimes'/><category term='mistério'/><category term='Londres'/><title type='text'>GAVAZZA MULTIMÍDIA</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Marco Gavazza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05983918374674130411</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>31</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2040266667686250728.post-9136827839885004278</id><published>2010-02-28T19:43:00.001-03:00</published><updated>2010-02-28T19:54:38.622-03:00</updated><title type='text'>MARX, A IDIOTIA RURAL E A MATRIX</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_9vYrz0CJ2NA/S4rxhzRzAII/AAAAAAAAAog/BcL_DlMX__8/s1600-h/Marx.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" kt="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_9vYrz0CJ2NA/S4rxhzRzAII/AAAAAAAAAog/BcL_DlMX__8/s320/Marx.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
Neste carnaval passei alguns dias no interior da Bahia, atracado com um note book e um modem externo 3G. De repente me senti meio bobo, questionando se a globalização é mesmo um fenômeno mundial ou apenas uma commoditie de alguns. O ambiente e a estética rurais guardam distância daquilo que no resto do mundo é considerado atualidade, vanguarda ou media fashion. São costumes enraizados, preservados culturalmente e que o acesso em real time a outras culturas em nada alterou. Em Jequié, num calor de 38° à noite, a cordialidade de quem me hospedava incluiu uma sopa bem quente antes do jantar. São hábitos que atravessaram gerações, tecnologias e hábitos, impassíveis às transformações. Mais tarde, sentado na praça para um sorvete, cercado de dezenas de pessoas em outras mesas, não ouvi um único toque de celular. As vitrines exibem modelos prontos para saírem dali rumo a um baile dançante. Em Ilhéus, a coordenação entre carros, bicicletas e pedestres no meio das ruas confirma a teoria dos equilíbrios não-cooperativos, conhecida como o Equilíbrio de Nash. O desfile de crianças saindo das padarias às 6 da tarde, carregando saquinhos de papel com os pães quentes é sagrado. A namorada na porta de casa, desde as 5 da tarde esperando o namorado, é infalível. Assim como o irmão pequeno antes das 10 da noite para acabar a alegria dos dois. Claro que nas casas a televisão está ligada. Dentro delas a Rede Globo mostra em seu merchandising das novelas e nos comerciais o que há de mais recente em moda, decoração, veículos, produtos de consumo por impulso e liberdade sexual, mas aquilo é ficção, é uma realidade que não afeta o comportamento das pessoas depois que o aparelho é desligado. A comunicação publicitária usa o carro de som, as faixas, as bicicletas sonorizadas, os cartazetes colados em postes. As rádios se dedicam aos problemas da cidade e à política. Os spots e jingles são uma extensão da linguagem das ruas, incluindo muitas vezes a voz do dono e anunciante. O distanciamento voluntário dos habitantes do interior dos hábitos dos trituradores de gente que são as metrópoles, não me parece o que Marx classificou de "idiotia rural". Assemelha-se a uma preservação espontânea de valores que lhes garantem uma vida mais suave. É uma opção. Eles sabem que através da internet podem ficar informados do que acontece ao redor do mundo. Mas não querem. Globalizados somos eu e você que usamos a informação como moeda ou ferramenta de trabalho. Globalizados são os executivos que fazem suas reuniões on line, distantes uns dos outros milhares de quilômetros. Globalizadas são as multinacionais que sabem a variação do salário mínimo em Tijuana para manter a empresa no positivo. Globalizados são jornalistas, políticos, publicitários, chairmans e outros sérios candidatos a um enfarto ou uma crise de estresse. A globalização chega até o interior. A própria parabólica foi um dos primeiros recursos utilizados na construção da aldeia global. A diferença é que isso chega até eles sem ocupar espaço em suas idéias e muito menos em seus projetos. Não faz parte das metas de consumo. Se eu e você nos sentimos inseguros sem um pen drive no bolso, eles querem saber se a carne do sol do mercado está macia. A globalização leva um tênis Nike a um garoto que mora em Uruçuca, mas só está presente como tarefa cotidiana na vida de poucos. A "idiotia rural" de Marx é na verdade um bucolismo indestrutível de gente que não vê muito sentido em encher a cabeça de informações além daquelas que lhes permitem desfrutar a convivência da família, dos filhos, dos amigos, dos conhecidos, da natureza, da vida enfim. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2040266667686250728-9136827839885004278?l=gavazzamarco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/feeds/9136827839885004278/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2040266667686250728&amp;postID=9136827839885004278&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/9136827839885004278'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/9136827839885004278'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/2010/02/marx-idiotia-rual-e-nostalgia.html' title='MARX, A IDIOTIA RURAL E A MATRIX'/><author><name>Marco Gavazza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05983918374674130411</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_9vYrz0CJ2NA/S4rxhzRzAII/AAAAAAAAAog/BcL_DlMX__8/s72-c/Marx.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2040266667686250728.post-9071794790561661112</id><published>2010-02-23T13:44:00.000-03:00</published><updated>2010-02-23T13:44:58.702-03:00</updated><title type='text'>SEXTA DA PAIXÃO</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_9vYrz0CJ2NA/S4QBKgI574I/AAAAAAAAAnQ/Pbv1rVz9OB8/s1600-h/Crist.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" ct="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_9vYrz0CJ2NA/S4QBKgI574I/AAAAAAAAAnQ/Pbv1rVz9OB8/s320/Crist.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Sempre tive curiosidade de saber quem é que determinava a data do Carnaval. Desde criança que imaginava alguém decidindo isso em função de sua maior ou menor disposição no início do ano. Depois, soube que não era bem assim. O Carnaval era marcado para ser exatamente 40 dias antes da 6ª Feira da Paixão, definindo um período que a religião católica chama de Quaresma. Estava portanto, transferida a minha dúvida. A pergunta passa a ser: quem determina a 6ª Feira da Paixão ? &lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
Embora nunca chegasse a me tirar o sono, a cada ano a dúvida piscava para mim. Até que recentemente descobri tudo. A 6ª Feira da Paixão é sempre a mais próxima da primeira Lua Cheia da&amp;nbsp;primavera no hemisfério norte. Nosso&amp;nbsp;outono cá embaixo do Equador. Bonito demais. Quando Jesus aborreceu os romanos até o limite deles e terminou pendurado numa cruz; era uma sexta-feira, início da&amp;nbsp;primavera e havia uma Lua Cheia nos céus de Jerusalém. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa foi a referencia que atravessou dois mil anos servindo para marcar tantas datas que afetam a vida da gente ainda hoje, quando os romanos já não estão nem aí para Jerusalém e veneram o manto em que o corpo do executado foi envolvido. Além de bela, a história contém um outro ensinamento: tudo na vida tem uma explicação. Se você não consegue entender porque sua namorada terminou tudo porque você mudou o corte de cabelo, pode ter certeza de que há uma explicação. Se aquele seu colega de trabalho que dedica todas as horas vagas a jogar dominó e passa as tardes de domingo a assistir Sílvio Santos (de cueca e comendo pizza gelada do jantar de sábado), foi promovido a seu Diretor Administrativo, alguma explicação existe para isto. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na vida, sempre há uma explicação para qualquer coisa. Por mais esquisito que pareça ser um fato ou um gesto, por trás dele há uma engrenagem complexa, que se move as vezes lenta e longa, as vezes rápida e curta, para fazer com que tal coisa tenha acontecido. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Faço todas estas voltas para dizer que credito tudo que nos acontece, a nós mesmos, como resultado de uma engrenagem que montamos desprevenidamente ao longo de nossas vidas. A pedra que você atirou na vidraça de alguém quando tinha seis anos, pode ter provocado estes estilhaços de vidro que caem sobre a sua cabeça hoje, quando os cabelos já se foram e a memória também. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma engrenagem de atos movidos pela ética, coerência, justiça e solidariedade, mesmo praticados sem qualquer consciência ou intenção, vai seguir produzindo ética, coerência, justiça e solidariedade. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2040266667686250728-9071794790561661112?l=gavazzamarco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/feeds/9071794790561661112/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2040266667686250728&amp;postID=9071794790561661112&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/9071794790561661112'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/9071794790561661112'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/2010/02/sexta-da-paixao.html' title='SEXTA DA PAIXÃO'/><author><name>Marco Gavazza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05983918374674130411</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_9vYrz0CJ2NA/S4QBKgI574I/AAAAAAAAAnQ/Pbv1rVz9OB8/s72-c/Crist.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2040266667686250728.post-8918933583760235444</id><published>2010-02-23T13:42:00.000-03:00</published><updated>2010-02-23T13:42:55.480-03:00</updated><title type='text'>CADEIA PRA QUEM NÃO ROUBA</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_9vYrz0CJ2NA/S4QDpJRJr2I/AAAAAAAAAnY/zwzHewNW_gQ/s1600-h/07-020.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" ct="true" height="293" src="http://4.bp.blogspot.com/_9vYrz0CJ2NA/S4QDpJRJr2I/AAAAAAAAAnY/zwzHewNW_gQ/s320/07-020.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
Leio na primeira página de um destes jornais que diariamente nos enchem de tédio, tristeza e incredulidade, a notícia de um empresário de Goiania que foi condenado pela justiça por falsificação de notas fiscais e desvio de dinheiro. Até aí, tudo bem. Mas, adiante a notícia é surpreendente: “...o empresário e jornalista M.L.O. foi condenado a quatro anos de cadeia. Ele cumprirá a pena em liberdade.” &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Custo a acreditar, mas está lá assim mesmo. Cumprirá a pena em liberdade. Chegamos então a um ponto inédito da ordem social no Brasil, deduzo. Para a recuperação de um criminoso, o sistema está tão perfeito que não é necessário sequer botar o sujeito no xadrez. Em liberdade mesmo ele “cumpre a pena” e está livre. Talvez nem seja só isso, seja ainda, mais amplamente, a coroação de uma nova moral. Talvez o próximo passo seja enfiar na cadeia todo mundo que não foi condenado por nada. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que é compreensível, num país onde o crime passou a ser diploma de inteligência e poder. Lampião e Pareja sabiam muito bem disso, adorados que foram pelo povo, estes incompetentes que jamais conseguiram cometer um crime. Cadeia pra eles, o povo, claro. Onde já se viu num país de criminosos, alguém querer andar certinho, pagar em dia, emitir notas fiscais verdadeiras e entregar o dinheiro a quem de direito? É crime. Crime contra a ordem pública. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nunca esta expressão esteve tão coerente com a realidade. Se a ordem pública é o crime, cadeia para quem está fora da ordem, para quem é honesto, ora pois. Nada mais lógico. Se se rouba no peso, no preço, no prazo, na qualidade, na validade de tudo que é vendido; se se rouba na competência, no orçamento, na execução e na eficiência de todo serviço prestado; se se rouba a canetadas do patrimônio público municipal, estadual, federal e internacional; se se rouba à bala do patrimônio privado pessoa física e jurídica; numa prática conjunta, cotidiana, continuada, coletiva e completa; quem fica fora disto evidentemente quer prejudicar o jogo. Cadeia com eles. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os prejuízos causados por estes honestos inoportunos são incalculáveis. O país custou a se recuperou do estrago provocado por aqueles três ou quatro gatos pingados que se recusaram a participar (ou não foram admitidos) da República das Alagoas e puxaram um cordão que acabou derrubando o alucinado Fernando Collor. Quanto custou para a ordem do crime reorganizar-se, rearticular-se, substituir nomes, bancos no exterior, sistemas de roubo, enfim, toda uma tecnologia desenvolvida e que funcionava perfeitamente? Reciclar a maravilhosa engrenagem das contas fantasmas, única contribuição concreta da economia para o progresso nas últimas décadas, custou. Custou muito sacrifício e muito tempo perdido. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se aquela secretária, aquele motorista, aquele irmão e outros irresponsáveis tivessem sido encarcerados logo no início em julgamento sumário, nada daquilo teria acontecido e hoje certamente estaríamos mais adiantados, quem sabe à frente da Alemanha. Fernando Collor já teria privatizado até a Casa da Moeda, que poderia assim vender notas de 50 por quanto bem entendesse, sem este atual tabelamento ridículo. Várias casas da moeda competindo no mercado, em economia aberta, cada qual imprimindo os cruzeiros ou cruzados mais bonitos e mais baratos que pudessem e vendendo-os por preços mais baixos que os atuais do Governo. Entretanto, presunçosos e perigosamente em liberdade, aqueles elementos marginais emperraram por alguns anos o avanço do sistema social brasileiro. Como se honestidade levasse a algum progresso. Agora prendem Arruda, denunciam que Zé Dirceu continua levando o seu honesto "por fora" como se isso fosse um crime. Logo irão querer uma CPI para investigar quem investigou o Mensalão e desmontou outra engrenagem construída com muito sacrifício e desafios. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas a gente chega lá. O exemplo de M.L.O. que acaba de garantir a liberdade por seus crimes, nos enche de esperança. Cadeia para quem não rouba e nem deixa roubar. E salvem o lindo pendão verde da esperança, salve o dólar, símbolo augusto da paz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2040266667686250728-8918933583760235444?l=gavazzamarco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/feeds/8918933583760235444/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2040266667686250728&amp;postID=8918933583760235444&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/8918933583760235444'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/8918933583760235444'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/2010/02/leio-na-primeira-pagina-de-um-destes.html' title='CADEIA PRA QUEM NÃO ROUBA'/><author><name>Marco Gavazza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05983918374674130411</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_9vYrz0CJ2NA/S4QDpJRJr2I/AAAAAAAAAnY/zwzHewNW_gQ/s72-c/07-020.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2040266667686250728.post-4122528911565047067</id><published>2010-02-21T21:11:00.001-03:00</published><updated>2010-02-25T21:50:20.302-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sexo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mistério'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crimes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>UM TAXI PARA O ALBANY</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_9vYrz0CJ2NA/S4cSBw-3HkI/AAAAAAAAAn4/qKAr2CztP60/s1600-h/Albany.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" kt="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_9vYrz0CJ2NA/S4cSBw-3HkI/AAAAAAAAAn4/qKAr2CztP60/s200/Albany.jpg" width="140" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
Começava naquela tarde de 1º de janeiro de 1940 uma relação que George Wesley jamais saberia definir. E isso não é bom. Quando o coração não consegue registrar que sentimentos passam por ele, a alma fica empoeirada, sem brilho ou cor exata. Estamos habituados a saber exatamente o que sentimos, ou então, a acharmos que sabemos ou até a não sentirmos nada. Não conseguimos entretanto conviver com o fato de sentir alguma coisa que não entendemos de forma clara. Como quando o sentimento começa a vagar numa zona de sombras, entre o desejo intenso e sempre satisfeito por alguém, a descoberta de prazeres que nunca se supôs um dia conseguir, uma incontida angústia ao esperar por outro, um inegável ciúme quando o outro não está por perto, um contentamento puro em conversar ouvindo suas histórias e seus problemas; tudo isto misturado com uma inexplicável vontade de que o outro vá embora tão logo acabem as longas jornadas de sexo, uma absoluta resistência a se apresentar ao lado do outro em lugares públicos, um impaciência crescente com o carinho e o cuidado do outro, tudo simultaneamente.&lt;strong&gt; &lt;span style="color: #274e13;"&gt;LEIA O LIVRO&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. &lt;span style="color: #274e13;"&gt;&lt;strong&gt;Acesse &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.clubedeautores.com.br/"&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;www.clubedeautores.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&amp;nbsp;&lt;span style="color: #274e13;"&gt;&lt;strong&gt;e digite Marco Gavazza ou Gavazza na busca por autor.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2040266667686250728-4122528911565047067?l=gavazzamarco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/feeds/4122528911565047067/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2040266667686250728&amp;postID=4122528911565047067&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/4122528911565047067'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/4122528911565047067'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/2010/02/um-taxi-para-o-albay.html' title='UM TAXI PARA O ALBANY'/><author><name>Marco Gavazza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05983918374674130411</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_9vYrz0CJ2NA/S4cSBw-3HkI/AAAAAAAAAn4/qKAr2CztP60/s72-c/Albany.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2040266667686250728.post-2692590793967826684</id><published>2009-11-03T14:44:00.010-03:00</published><updated>2009-11-04T17:30:16.578-03:00</updated><title type='text'>Tirando o atraso.</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_9vYrz0CJ2NA/SvBvZg0JH4I/AAAAAAAAAl0/Mm6yfbYaDlM/s1600-h/Cartaz+Bastardos.jpg"&gt;&lt;/a&gt;

&lt;div&gt;DE ENCONTRO COM O COMPROMISSO DE ESCREVER.

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&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 223px; DISPLAY: block; HEIGHT: 166px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5399935153320066850" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_9vYrz0CJ2NA/SvBsaW_JfyI/AAAAAAAAAlU/EyjBWTWImmQ/s400/Claire.jpg" /&gt;


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Depois de muito tempo sem atualizar este blog (ainda bem que ele tem poucos leitores) voltar a fazê-lo me leva irremediavelmente a lembrar do filme &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#993300;"&gt;De Encontro Com O Amor&lt;/span&gt;.&lt;/strong&gt; Embora o título brasileiro mude o foco do filme, ele na realidade é sobre um escritor que desistiu de escrever após a morte de sua mulher. &lt;/div&gt;




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&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#993300;"&gt;&lt;strong&gt;Harvey Keitel,&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; mais uma vez brilhante, faz o escritor. Este ao se ver viúvo, abandona New York e se refugia numa apaixonante aldeia na região de Siena, na Itália. Vivendo de direitos autorais, uma colheita anual de uvas e da produção de leite de algumas poucas vacas, ele se dedica a beber, jogar com os amigos mais íntimos (um padre impagável aí incluso), beber novamente, fumar charutos, recordar continuamente a esposa morta e botar para correr jornalistas e editores que não desistem de procurá-lo. Uma de suas filhas, Isabella, cuida deste problema ambulante com suavidade e vigor ao mesmo tempo. &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#993300;"&gt;Claire Forlani&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, a mais bela mulher que tenho visto nas telas há algum tempo, interpreta este papel. &lt;/div&gt;




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&lt;div align="justify"&gt;É evidente que o mocinho da história -mais um editor que vai até o refugio do escritor- além de conseguir fazer com que ele volte a escrever, se apaixona por ela. Não me apaixonei por ninguém e ninguém me convenceu a voltar a escrever aqui neste espaço, mas minha mente fez esta associação com o filme. &lt;em&gt;&lt;span style="color:#993300;"&gt;De Encontro...&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; não chega a ser um filme genial. Mas a paisagem de Siena, a atuação de Keitel, a beleza de Claire e o texto, valem os 110 minutos frente à tela, sem hesitação. Especialmente à noite, que na definição de &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#993300;"&gt;Weldon Parish&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, nome do personagem escritor, &lt;em&gt;&lt;span style="color:#993300;"&gt;“a tudo encobre e domina com o seu silêncio”.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; Assista.

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&lt;div align="justify"&gt;WOODY ALLEN TENTA SE ATUALIZAR. JÁ CHEGOU À DÉCADA DE 80 DO SÉCULO PASSADO.
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&lt;/div&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 221px; DISPLAY: block; HEIGHT: 175px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5399935864429293378" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_9vYrz0CJ2NA/SvBtDwEzL0I/AAAAAAAAAlk/L1OysEFk2nI/s400/Penelope.jpg" /&gt;




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&lt;div align="justify"&gt;Gosto de &lt;span style="color:#993300;"&gt;&lt;strong&gt;Woody Allen&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;. Acho &lt;span style="color:#993300;"&gt;&lt;strong&gt;Manhattan&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; uma obra prima do cinema. Gosto da forma como ele arranca magistrais interpretações de atores sobre os quais nunca tínhamos ouvido falar. Gosto da forma como ele de certa forma minimiza as grandes neuroses urbanas, transformando-as em objetos de consumo dos seus personagens. Gosto da criteriosa escolha dos títulos de seus filmes. A gente se encanta com &lt;span style="color:#993300;"&gt;&lt;strong&gt;Todos Dizem Eu Te Amo&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; antes mesmo de ver o filme. &lt;/div&gt;


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&lt;div align="justify"&gt;Woody é inteligente e percebeu que a geração que consegue mergulhar fundo na sua ironia, nas suas citações e nas suas entrelinhas, está morrendo sem reposição. Resolveu então “modernizar” um pouco seus filmes. &lt;span style="color:#993300;"&gt;&lt;strong&gt;Vicky, Cristina, Barcelona&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; é para mim o exemplo mais emblemático desta tentativa. Um filme moderninho. Neuroses mais compreensíveis por parte dos neuróticos contemporâneos. Trilha sonora passando muito longe de &lt;span style="color:#993300;"&gt;&lt;em&gt;Gershwin&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; ou &lt;span style="color:#993300;"&gt;&lt;em&gt;Cole. &lt;/em&gt;&lt;/span&gt; E principalmente atores habituados a gerar bilheteria, como &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#993300;"&gt;Penélope Cruz&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; ou &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#993300;"&gt;Javier Bardem&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. &lt;/div&gt;


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&lt;div align="justify"&gt;É um bom filme, mas o fato dele existir lembra muito -na real- &lt;em&gt;&lt;span style="color:#993300;"&gt;Benjamin Button&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;. Aos 73 anos Woody resolve parecer que tem 40. Com esse olhar ele nos mostra a visão de duas norte americanas passando férias em &lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;Barcelona&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; e seu envolvimento com um artista local. Não tem falhas, como não poderia ter e nunca teve em nenhuma dos seus filmes. Mas não tem a &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;griffe &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;Woody Allen. Não seria atribuído a ele se fosse exibido a pessoas que não sabem disso. &lt;/div&gt;


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&lt;div align="justify"&gt;Nesse ritmo ele acabará produzindo um remake de &lt;em&gt;&lt;span style="color:#993300;"&gt;Chapeuzinho Vermelho&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;, ambientado em Caracas e tendo como atriz principal &lt;span style="color:#993300;"&gt;&lt;em&gt;Verônica Belmont&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;. Nem precisa pensar muito pra saber quem interpretará o Lobo Mau. Será que vale a pena buscar a atualização de um estilo –que não é muito flexível- para não perder público com o passar do tempo? Woody acha que sim. A crítica mundial respeita o que ele já fez e reconhece os méritos de &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;em&gt;Vicky, Cristina, Barcelona.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; Mas registra aquela sensação de perplexidade. Como se de repente Tio Patinhas virasse um bem sucedido investidor da Bolsa de New York. Pra não sair do cenário favorito de Allen.
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&lt;div align="justify"&gt;PREFIRO BEIRUTE. DE ROSBIFE COM BASTANTE MAIONESE.

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&lt;div align="justify"&gt;Mais uma vez bato de frente com o cinema nacional. Não tem jeito. Postei aqui um comentário sobre o quanto me deliciei assistindo &lt;em&gt;&lt;span style="color:#993300;"&gt;&lt;strong&gt;Bela Noite Para Voar&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; e logo depois, achei que deveria dar mais oportunidades às produções brasileiras. Podia ter me contido. Mas não, resolvi assistir &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Budapeste,&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; inspirado ou baseado, sei lá, no livro do mesmo nome escrito por aquele rapaz que era um compositor insuperável chamado &lt;span style="color:#993300;"&gt;&lt;strong&gt;Chico Buarque&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; e resolveu transformar-se no escritor meia-boca&lt;span style="color:#ff0000;"&gt; Chico Buarque&lt;/span&gt;. O filme segue a mesma batida do livro. É insuportável. A melhor coisa  é –pra quem não conhece- um dito popular já senil, que diz: &lt;em&gt;&lt;span style="color:#993300;"&gt;o húngaro é a única língua que o Demônio respeita.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; Acaba por aí.
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&lt;div align="justify"&gt;BASTARDOS INGLÓRIOS &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
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&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 240px; DISPLAY: block; HEIGHT: 174px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5399941535033226706" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_9vYrz0CJ2NA/SvByN0uIddI/AAAAAAAAAl8/FaB48NQeIAg/s400/Bastardos.jpg" /&gt;
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&lt;div align="justify"&gt;Já perdi a conta dos filmes que assisti sobre Hitler, nazismo, holocausto etc. Os que mais me marcaram foram aqueles que mergulharam na alma e nos sentimentos das pessoas, indo remexer no lado humano dos envolvidos. &lt;/div&gt;


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&lt;div align="justify"&gt;Entre estes, &lt;span style="color:#993300;"&gt;&lt;strong&gt;A Lista de Schindler&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; é um destaque, assim como &lt;span style="color:#993300;"&gt;&lt;strong&gt;O Menino de Pijama Listrado&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; e &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#993300;"&gt;A Espiã&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. Podem me apedrejar, mas não gosto de &lt;span style="color:#993300;"&gt;&lt;strong&gt;A Vida É Bela.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; Acho que ele ultrapassou a tênue linha que separa a tragédia da comédia e caiu para o lado errado. Agora surge &lt;span style="color:#993300;"&gt;&lt;strong&gt;Brad Pitt&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; com cara de mau comandando um grupo de judeus americanos a escalpar nazistas onde quer que eles se encontrem. &lt;/div&gt;
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&lt;div align="justify"&gt;O filme de &lt;span style="color:#993300;"&gt;&lt;strong&gt;Tarantino &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;é uma viagem grotesca entre a fantasia e a realidade, com tintas exageradas em ambos os quadros. Quem gosta de Tarantino –e ele tem esse poder de sedução- adora tudo o que ele faz. Quem, como eu, mantêm um certo distanciamento crítico, não consegue gostar ou não gostar do filme. A gente sabe que está diante de algo competente, estruturado, pensado, mesmo que a estética de Tarantino seja o caos que costuma ser. Mas não conseguimos captar a intenção principal de tudo aquilo. &lt;/div&gt;
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&lt;div align="justify"&gt;Reverter a história? Ridicularizar os nazistas? Glorificar os marines? Revelar algo desconhecido que aconteceu na 2ª Guerra? Não consegui saber. &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Brad Pit&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;t &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;é um ator competente. Interpretar a morte como ele fez em &lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Encontro Marcado&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; é suficiente para sabermos que estamos vendo um ator maiúsculo. Em &lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Bastardos&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; ele não encontra espaço para ser competente. A direção de Tarantino o faz oscilar entre o grotesco, o patético, o cômico e o cruel, sem convencer em nenhum dos papéis. Enfim, resta o consolo de saber que depois de ter explodido toda a cúpula do III Reich –Adolf à frente- dentro de um pequeno cinema, Tarantino não mais voltará ao assunto. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2040266667686250728-2692590793967826684?l=gavazzamarco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/feeds/2692590793967826684/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2040266667686250728&amp;postID=2692590793967826684&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/2692590793967826684'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/2692590793967826684'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/2009/11/tirando-o-atraso.html' title='Tirando o atraso.'/><author><name>Marco Gavazza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05983918374674130411</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_9vYrz0CJ2NA/SvBsaW_JfyI/AAAAAAAAAlU/EyjBWTWImmQ/s72-c/Claire.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2040266667686250728.post-6727612729951649704</id><published>2009-08-14T16:16:00.007-03:00</published><updated>2009-08-14T16:53:19.438-03:00</updated><title type='text'>Chaplin e Carlitos</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_9vYrz0CJ2NA/SoW5qF_3wBI/AAAAAAAAAj8/XXK521Vpm_k/s1600-h/cARLITOS.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5369902263524900882" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 92px; CURSOR: hand; HEIGHT: 118px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_9vYrz0CJ2NA/SoW5qF_3wBI/AAAAAAAAAj8/XXK521Vpm_k/s400/cARLITOS.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;A propaganda persegue há décadas a capacidade do cinema de criar personagens ou personalidades definitivas. Embora muito mais presente vida das pessoas que o cinema, em função da frequência e da diversidade da mídia, a propaganda entretanto não consegue “perpetuar” suas criações, perdendo por várias cabeças para os longas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;§ &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;Quem consegue lembrar o nome do personagem que durante muito tempo foi garoto-propaganda do guaraná Antarctica ? Somente quem é do ramo -e ainda assim uma minoria- responde em menos de 30 segundos: Teobaldo. &lt;div align="justify"&gt;
&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;§ &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;Já &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Divine Brown&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, que nem apareceu nas telas e o mais próximo que chegou do cinema foi ao pinto de Hugh Grant, é um nome rapidamente identificado e lembrado quando o assunto é Hollywood. &lt;div align="justify"&gt;
&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;§&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Para falar a linguagem da propaganda, seus personagens são perecíveis. Enquanto &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Scarlett O’Hara &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;atravessa décadas na mente de multidões, nem o sotaque e os saiotes escocêses fazem o consumidor lembrar o nome daquele simpático senhor que falava sobre um whisky, qual era mesmo, Passaport ou Ballantinnes ? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;§ &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;A sequência de exemplos é interminável, desde &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Mickey&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; até &lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;Rambo &lt;/strong&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;e&lt;/span&gt;&lt;strong&gt; Rocky Balboa&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; sem esquecer os óbvios &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;James Bond, Inspetor Clouseau, Dom Vito &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;e toda a &lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;Famiglia Corleone&lt;/strong&gt;;&lt;/span&gt; os clássicos &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Gordo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; e o &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Magro&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, o vagabundo &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Carlitos&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, o inesquecível &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Ricky&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; e seu &lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;“play it again, Sam.”&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; E outros, muitos e muitos outros. Nem falar nos seriados, onde a coisa fica ilimitada a partir de &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Tarzan, Zorro, Sargento Garcia&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, passando por todos os cowboys até chegar a &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Fred Flintstone &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;e &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Barney&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Rubble &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;e depois &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Dino da Silva Sau&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;ro&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, já na animação. &lt;div align="justify"&gt;
&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;§ &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;E os heróis da propaganda, onde estão ? Aquele senhor gordo, de barba, que fala do Bamerindus, tem nome ? Até o recordista do Guiness e já idoso apresentador do Bom Bril é um anônimo para o grande público. Em pouco tempo o herói dos comerciais vai para a vala comum dos não identificados. &lt;div align="justify"&gt;
&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;§&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Porque isso acontece? Simplesmente porque o herói do cinema interpreta uma personalidade, com a qual nos identificamos ou rejeitamos profundamente. Já o herói da propaganda interpreta um sabão em pó, um sorvete, um carro ou um supermercado. E dificilmente alguém dá a isso mais importância além de verificar se o que está sendo anunciado é verdadeiro e compensador. Por mais simpatia que se tenha por quem está anunciando. Checada a informação e realizada a compra ou não, acabou o comercial e o personagem vai junto. The end. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;§&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Agora, jogando um pouco de sal na ferida: será que o cinema ainda tem esta capacidade de criar personagens imortais ? Quem lembra do nome de algum personagem dos incontáveis filmes de &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Spielberg&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, além do &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;E.T.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; e do soldado &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Ryan&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;? O olhem que Spielberg é um diretor que foi beber nas fontes murmurantes das agências de propaganda da Madison Ave. Alguém lembra o nome de um personagem de um dos filmes de &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Woody Allen&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, que herdou o espólio da ingenuidade de &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Chaplin&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, mas não herdou o lirismo e muito menos &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Carlitos&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; ? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;§ &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;Para ser mais amplo, quem lembra de algum personagem de algum filme nos últimos 5 anos? Ou, pra radicalizar logo, alguém lembra três dos filmes que concorreram ao &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Oscar&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; deste ano ? &lt;div align="justify"&gt;
&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;§ &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;Será que o cinema está ficando tão comercial quanto a propaganda ? Claro que sim. Foi a única forma que ele encontrou de enfrentar a televisão e não fechar as portas de todas as salas em todos os países. Mas, longe de significar uma tragédia, isto tem seu lado positivo. &lt;div align="justify"&gt;
&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;§ &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;A renovação do cinema permitiu a abordagem de muitos mais temas, ampliou o leque aventura/drama/terror/comédia infinitamente, permitiu grandes espetáculos e trouxe de volta para a telona um público que ficou muito tempo na poltrona da sala de jantar. O DVD –pirata ou não- tornou-se um forte aliado do cinema e as pessoas assistem cada vez mais filmes. &lt;div align="justify"&gt;
&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;§ &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;Foram-se os anéis mas ficaram os dedos. Se a comunicação se transformou completamente nas duas últimas décadas, tornando-se uma ação tão transitória quanto os fatos, paciência. O mundo está assim mesmo. Você vai guardar este artigo na memória quando terminar de ler? Claro que não. &lt;div align="justify"&gt;
&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;§&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Resta aos irmãos &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Lumiére&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; o orgulho de estarem contemporâneos da Internet. E a nós, a felicidade de conviver com um século das mais diversas emoções. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2040266667686250728-6727612729951649704?l=gavazzamarco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/feeds/6727612729951649704/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2040266667686250728&amp;postID=6727612729951649704&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/6727612729951649704'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/6727612729951649704'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/2009/08/chaplin-e-carlitos.html' title='Chaplin e Carlitos'/><author><name>Marco Gavazza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05983918374674130411</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_9vYrz0CJ2NA/SoW5qF_3wBI/AAAAAAAAAj8/XXK521Vpm_k/s72-c/cARLITOS.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2040266667686250728.post-3945854843420617181</id><published>2009-08-05T13:15:00.005-03:00</published><updated>2009-08-05T14:05:22.984-03:00</updated><title type='text'>Sem Medo de Voar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_9vYrz0CJ2NA/Snmy3BqvLpI/AAAAAAAAAi0/8M5f2e8v95E/s1600-h/JK5.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5366517089398894226" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 175px; CURSOR: hand; HEIGHT: 93px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_9vYrz0CJ2NA/Snmy3BqvLpI/AAAAAAAAAi0/8M5f2e8v95E/s400/JK5.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não posso abrir este texto de outra forma senão citando &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Juscelino Kubitscheck&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, o mais simpático e respeitado ex-presidente que este país já teve. &lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Volto atrás sim. Não tenho compromisso com o erro. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;
&lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;§ &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;Por diversos motivos não tenho os filmes nacionais entre as minhas preferências de cinema. Um deles é que os temas do nosso cinema ou são biográficos ou então sempre giram em torno de favelas, presídios, meninos de rua, drogas, prostituição e similares, formando um vasto dejá vu. Isso porque o Brasil não tem escritor de roteiros para cinema. Pega-se uma obra de alguém, faz-se uma adaptação e pronto: virou filme. Não existe o escritor profissional para cinema. Pegar um livro e transformar em filme não é fácil e o resultado é quase sempre o mesmo comentário: &lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;gostei mais do livro. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;§&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Pegar uma câmera e sair rodando pelo Morro do Macaco Molhado é fácil. Sempre a lente vai encontrar alguma coisa chocante para mostrar. Depois se edita, enxertam-se algumas cenas gravadas em locação interna e temos mais um filme brasileiro &lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;“com grandes possibilidades de indicação para o Oscar”.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; Mas isso a gente já via décadas atrás pela televisão, no Comando da Madrugada e é tema para uma vasta discussão que não cabe aqui. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;§&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Na prática o que mais me incomoda mesmo é saber que no momento em que estaria assistindo &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Toni Ramos&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; no cinema, ele está na Novela das 8 fazendo uma bobagem qualquer. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;§&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Por questões de mercado de trabalho, a televisão tomou para si todos os grandes atores e atrizes do país. Até &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Paulo Autran&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; sucumbiu. É estranha a sensação de ver no cinema o mesmo ator que está de 2ª a sábado em sua casa numa novela e aos domingos, no Faustão. Acho que eu não teria a mesma satisfação de assistir &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Al Pacino&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, por exemplo, se o visse diariamente fazendo séries bobas e inverossímeis anos seguidos na televisão. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;§&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Mas, ganhei de presente o DVD do filme &lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Bela Noite Para Voar.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; Sou apaixonado por aviação e por JK e então não me restou alternativa senão assistir o filme. Além do mais, era um presente. E um belo presente. Mesmo que eu várias vezes tenha confundido &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Mariana Ximenes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;“Princesa”&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; com Mariana Ximenes &lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;“Lara”&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; o filme de &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Zelito Miranda&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; é extremamente competente, fugindo ao lugar comum dos roteiros de filmes nacionais. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;§&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Longe de pretender ser uma biografia de &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Juscelino&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, Bela Noite Para Voar pega um episódio isolado da vida do ex-presidente e o mostra com a mesma competência dos filmes de ação que encontramos por aí. A sabotagem do avião, a descoberta do plano em andamento e como se evitou a tragédia. Tudo isso costurado pelas linhas fortes de uma história de amor, das muitas que JK deixou escritas por este Brasil afora. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;§&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Uma trilha competente dá o clima exato que se pretende para a aventura relatada. Em pouco mais de uma hora a personalidade cativante de JK é mostrada em todas as suas facetas. O líder, o idealista, o progressista, o religioso, o conquistador, o incansável, o popular, o pai de família, o pensador; todos estão no filme, mostrados em seqüências às vezes curtas, porém sempre muito marcantes. A figura única de JK é mostrada com uma profundidade que as melhores biografias não alcançaram, mostrando toda a sua capacidade de fazer admiradores. Como diz o personagem que faz &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Jânio Quadros&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; ao próprio JK &lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;avisaram-se que Vossa Excelência é um perigoso sedutor, mas pensei que se referissem somente às mulheres.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;§&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Deus, entre outras graças, deu-me o desconhecer o medo&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;, diz JK a certa altura do filme. Creio que Zelito Miranda poderia dizer o mesmo. Não teve qualquer receio em fazer um filme com cara de filme, fugindo do padrão &lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;“a vida de”&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; ou &lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;“pisando na lama”&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; que norteia o cinema nacional, em sua maioria. Não posso dizer que Zelito me fez mudar de opinião a respeito do cinema brasileiro. Mas com certeza deu-me o prazer inesperado de assistir um belo filme. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2040266667686250728-3945854843420617181?l=gavazzamarco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/3945854843420617181'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/3945854843420617181'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/2009/08/sem-medo-de-voar.html' title='Sem Medo de Voar'/><author><name>Marco Gavazza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05983918374674130411</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_9vYrz0CJ2NA/Snmy3BqvLpI/AAAAAAAAAi0/8M5f2e8v95E/s72-c/JK5.bmp' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2040266667686250728.post-5629523787558931623</id><published>2009-07-23T14:27:00.007-03:00</published><updated>2009-07-23T15:36:02.446-03:00</updated><title type='text'>O Inferno São Os Outros</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_9vYrz0CJ2NA/Smij_b2CE9I/AAAAAAAAAiE/xcu6XC5Selw/s1600-h/Constantine+2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5361715666586047442" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 274px; CURSOR: hand; HEIGHT: 138px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_9vYrz0CJ2NA/Smij_b2CE9I/AAAAAAAAAiE/xcu6XC5Selw/s400/Constantine+2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;
&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_9vYrz0CJ2NA/Smif7KlxkaI/AAAAAAAAAhs/LOubDJV3BiQ/s1600-h/Constantine+1.jpg"&gt;&lt;/a&gt;

&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;

&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;Devo ter assistido o filme &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Constantine&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; uma dezena de vezes. Nele diversas coisas me fascinam, desde a morte anunciada pelo câncer de pulmões –sou fumante inveterado de 40 cigarros por dia, em média- até a morte resgatada e que dá origem a toda história do filme. &lt;/div&gt;

&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
                                                                               &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;   §
&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;                                                         
&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;O roteiro é muito criativo. Constantine esteve morto por alguns segundos, após um acidente e antes que os paramédicos o trouxessem de volta à vida. Porém, nestes breves segundos de morte ele foi parar no inferno e como por lá o tempo não existe, sua permanência no reino de Satanás corresponde a uma eternidade. Ele então pode conhecer os demônios mais influentes do grupo, os demônios comuns e aqueles que possuem por missão buscar almas que ainda habitam corpos em trânsito pelo planeta. &lt;/div&gt;

&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
                                                                                  &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;§
&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;Pior de tudo: Constantine ao voltar consegue reconhecer essa turma quando ela está pelas ruas da cidade. Ao mesmo tempo em que tenta negociar com as lideranças das profundezas para não ter que retornar quando morrer definitivamente, Constantine também se dedica a caçar aqueles que ficam aliciando almas por aqui. &lt;/div&gt;

&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
                                                                                  &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;§
&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;Outra coisa que me fascina é a beleza andrógina do anjo &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Gabriel&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, que vive aparecendo à Constantine para convencê-lo de que sua luta é inútil e que ele voltará ao fogaréu eterno, levado inclusive pelo próprio &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Belzebu&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, que virá pessoalmente buscá-lo quando chegar o momento. &lt;/div&gt;

&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
                                                                                  &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;§
&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;Aí eu me pergunto: será mesmo necessário morrer e ressucitar para perceber que o mundo das trevas pode ser acessado a qualquer instante aqui mesmo? Na próxima esquina pode surgir em nossa frente um representante de &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Satã &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;com uma arma na mão e transformar a nossa vidinha rotineira num inferno sem hora para terminar. Um pedaço da eternidade, como viveu Constantine. &lt;/div&gt;

&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
                                                                           &lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;        §&lt;/strong&gt;
&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;Um exemplo mais simples: você chega do trabalho cansado, pensando em entrar em casa, tirar a roupa e recompor suas forças. Mas ao abrir a porta, você é soterrado por problemas de todas as espécies. Desde o botijão de gás que acabou e o reserva também está vazio até sua filha mais nova que ameaça o suicídio porque a mão não permitiu que ela fosse ao cinema com as amigas, passando pelo micro ondas que quebrou, a conta do cartão que chegou depois do vencimento e a imprevisível TPM de sua santa esposa. &lt;/div&gt;

&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;

&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;                                                                                   &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;§
&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Sartre &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;já dizia; o inferno, são os outros. &lt;/div&gt;

&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
                                                                                    &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;§
&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;Caso o nosso cotidiano fosse um filme, certamente o público seria próximo de zero, mas ele é real e tenha público ou não, sentimos na pele todos os seus efeitos. Viver é partilhar o tempo presente com todos os demônios que passeiam por aí, seja no trabalho, nas ruas, nos shoppings ou em nossa casa. É tentar identifica-los e neutraliza-los sem ter a experiência de Constantine para reconhece-los de longe. &lt;/div&gt;

&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
                                                                                &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;   §&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;Aquela mulher sensual que surge de repente na sala de espera do dentista e te seduz escancaradamente. &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Vira um inferno.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; Aquele software inocente que v. baixa da internet para se proteger de ameaças digitais. &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Vira um inferno.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; Aquela oficina autorizada onde você resolve levar seu DVD player para fazer uma limpeza. &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Vira um inferno. &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;

&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
                                                                                 &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;§
&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;Tudo isso enquanto &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Deus&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; sorri zombeteiro nos observando de longe, da confortável e espaçosa varanda dos céus. &lt;/div&gt;

&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;                                                                                  &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;§
&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;Então você dá uma de Constantine: faz promessas, jura parar de fumar, acender velas para os santos do dia se as coisas melhorarem um pouco e ouve como resposta a mesma coisa que Constantine ouviu: &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Deus não faz negociações&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. Deus é Deus. &lt;/div&gt;

&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
                                                                                &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt; §
&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;Acho que por isso mergulho nos filmes e os vivo como se estivesse também alí na tela. É uma forma de ter certeza de que, por mais complexo que seja o inferno que nele está contido, depois de 90 e poucos minutos a gente sai dele. O que quase nunca acontece na vida real. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2040266667686250728-5629523787558931623?l=gavazzamarco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/5629523787558931623'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/5629523787558931623'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/2009/07/devo-ter-assistido-o-filme-constantine.html' title='O Inferno São Os Outros'/><author><name>Marco Gavazza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05983918374674130411</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_9vYrz0CJ2NA/Smij_b2CE9I/AAAAAAAAAiE/xcu6XC5Selw/s72-c/Constantine+2.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2040266667686250728.post-3377941141348237628</id><published>2009-06-02T11:29:00.004-03:00</published><updated>2009-06-02T13:51:24.910-03:00</updated><title type='text'>O Anjo Exterminador e o Anjo do Varandá</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando eu tinha por volta de 20 anos-e isso já vai longe no tempo- acontecia todas as 2ªs feiras, à meia-noite, uma sessão de &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;cinema de arte&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; no Cine Popular que ficava atrás do Cine Liceu, tudo alí em torno do Liceu de Artes e Ofícios, alguns quarteirões ao lado da Praça da Sé. Naquele tempo podia-se ir a um cinema naquela área à meia-noite, sair da sessão às 2 da manhã e ir pra casa a pé. A madrugada de Salvador não oferecia qualquer perigo; ao contrário, era repleta de boas surpresas ou no mínimo de uma tranqüilidade deliciosa. Eu costumava freqüentar essas sessões religiosamente, em companhia de alguns amigos que também eram fascinados por cinema. Vicente Sarno, Herbert Clavijo, Joubert Moraes, Epaminondas Berbet, Afonso Ligouri, vez por outra Gei Espinheira e outros que já se foram ou eu não lembro mais. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;

Depois do filme, caminhávamos em silêncio, arrumando as idéias na cabeça, até a ladeira do Pau da Bandeira, que liga a &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Rua Chile&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; à ladeira da &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Montanha.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; Lá estava sempre aberto o &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Varandá,&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; reduto da boemia, da música, dos poetas, dos cantores, da jovem intelectualidade local sempre notívaga e evidentemente de moças dispostas a fazer a alegria de qualquer um dos freqüentadores alí mesmo ou numa pensão discreta da Rua Chile, em troca de algumas doses, de um jantar ou de uma ajuda para comprar um remédio para tia doente. Mas quando eu e minha turma chegávamos ao Varandá, tudo isso era apenas cenário. O que acontecia a partir dali era uma intensa discussão a respeito do que acabáramos de assistir, do significados de cada cena e o que poderíamos extrair como lição de vida daqueles &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;90 e poucos minutos de cinema. &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;p align="justify"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;
A sessão de arte do Popular exibia filmes de &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Ingmar Bergmann, Antonioni, Buñuel, Piér Paul Pasolini, Truffaut&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; e outros cineastas herméticos, simbolistas e devastadores de conceitos morais, sociais, sexuais, religiosos, patrióticos e outros menos entranhados em nossos raciocínios.
&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
Certa noite/madrugada entretanto, ao chegarmos ao Varandá, permanecemos mudos, observando vagamente o que acontecia em volta sem que a inevitável discussão sobre o filme se iniciasse. Um dos companheiros anunciou que não estava a fim de pirar e que iria “dar uma” antes de qualquer coisa, saindo imediatamente com a primeira das moças com quem cruzou o olhar.

Havíamos acabado de assistir &lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;O Anjo Exterminador&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;, de &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Luiz Buñuel,&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; um dos filmes mais intrigantes já realizados pelo cinema. &lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5342745327159263378" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 107px; CURSOR: hand; HEIGHT: 144px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_9vYrz0CJ2NA/SiU-kWa0wJI/AAAAAAAAAgM/awpnDwvJEu4/s320/Cartaz+Anjo.jpg" border="0" /&gt; &lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
Um roteiro simples: durante um jantar na mansão de um dos burgueses de uma pequena cidade, toda a elite local diverte-se, ri e exibe suas qualidades com a desenvoltura natural dos superiores socialmente. Tudo vai bem até que se percebe ser muito tarde, o jantar haver acabado há muito tempo e que ninguém vai embora. Na verdade ninguém consegue ir embora, como se uma força invisível impedisse a saída de qualquer um da sala de jantar.
&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
Sem explicações e sem conseguir sair da sala, eles acabam dormindo por ali mesmo –embora a casa seja enorme- amontoados em sofás e pelo chão. No dia seguinte, o mistério continua. Ninguém consegue sair da sala. Com o passar dos dias sem que se encontre uma –literalmente- saída, as personalidades desmoronam e os burgueses se transformam em &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;selvagens mendigos&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, moradores de rua, disputando a tapas restos de comida, escavando paredes em busca de um cano d’água e esfarrapados, revelam suas personalidades sórdidas e cruéis.
&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
Um dia, sem qualquer sentido ou explicação, um bando de ovelhas surge do nada, atravessa a sala e a força estranha desaparece de repente. Todos conseguem sair da sala e da casa. Recompõem-se reassumindo suas atitudes de elite da comunidade. Em seguida mandam celebrar uma missa em agradecimento ao Senhor por terem se livrado daquele terrível pesadelo. Além do grupo, são convidados aqueles que geralmente orbitam em torno da classe dominante. Finda a missa, eles percebem que não conseguem sair da igreja. Cena final: externa da igreja à distância, portas abertas sem que ninguém consiga sair e pela frente dela passa o rebanho de ovelhas, sem entrar. O rebanho sai desaparecendo pela lateral da tela. &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;The end.
&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
Discutir o que? A degradação da classe dominante diante de uma ameaça, real ou imaginária? Todos sabemos que é assim. Debater a natureza ou simbologia da força que impediu a todos de saírem da sala até que descessem ao fundo do poço moral? Questionar o significado das ovelhas naquele cenário e qual a sua função? Considerar uma intervenção divina? Buñuel era &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;ateu&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; até a unha do pé. E quando –ou se- finalmente chegássemos a alguma percepção em comum, transcenderíamos a discussão para a ampliação do mistério, acontecido dentro da igreja? Não. Naquela noite isso não seria possível. Talvez a certeza de não chegarmos a conclusão alguma, talvez o medo de nunca mais conseguirmos sair do Varandá, talvez tudo isso junto e somado ao espanto diante do filme de Buñuel fez com que naquela noite não houvesse discussão alguma sobre O Anjo Exterminador.
&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
Vicente logo achou uma morena que sorria o tempo todo para ele e sumiu junto com ela. Herbert e mais alguém alegaram sono profundo acompanhado de dor de cabeça e foram embora pra casa. Eu fiquei mais um pouco bebericando uma cerveja até que se aproximou de mim uma mocinha muita alva, de grandes olhos escuros, corpo miúdo e quase magro, cabelos de cor indefinida. Usava um vestido branco de tecido transparente, revelando uma mínima calcinha também branca e nada mais além das &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;sombras e texturas do corpo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. Sob a luz azulada do Varandá parecia volátil, uma entidade, um anjo saído da adega local. Sentou-se ao meu lado perguntando se eu queria mesmo ficar sozinho. Respondi que não e ela me disse que conhecia um lugar ali pertinho, legal pra ver o sol nascer.
&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
Paguei a cerveja e fomos para um pequeno quarto com vista para a Baía de Todos os Santos. Na manhã seguinte eu me perguntava se viver não era mais simples que entender a vida. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2040266667686250728-3377941141348237628?l=gavazzamarco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/feeds/3377941141348237628/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2040266667686250728&amp;postID=3377941141348237628&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/3377941141348237628'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/3377941141348237628'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/2009/06/o-anjo-exterminador-e-o-anjo-do-varanda.html' title='O Anjo Exterminador e o Anjo do Varandá'/><author><name>Marco Gavazza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05983918374674130411</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_9vYrz0CJ2NA/SiU-kWa0wJI/AAAAAAAAAgM/awpnDwvJEu4/s72-c/Cartaz+Anjo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2040266667686250728.post-847737177668067038</id><published>2009-05-09T10:32:00.006-03:00</published><updated>2009-06-02T14:06:49.815-03:00</updated><title type='text'>The Real Life Presents:</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Cena 1:&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; homem diz à mulher que vai se apaixonar por ela. &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Cena 2:&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; mulher diz ao homem que não existe possibilidade para ambos, pois ela ama outro alguém acima de tudo e não pretende sequer vê-lo em outra circunstância. &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Cena 3:&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; homem aceita a situação, mas sente a atração crescer em seu coração, não se afastanem evita demonstrar que a quer. &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Cena 4:&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; mulher mantém a situação inalterada, mas ali surgiu uma ponte e o tempo cria entreeles um entendimento e um carinho crescentes. &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Cena 5:&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;(ainda sendo escrita.) &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt; &lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;/div&gt;&lt;/em&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5342777103014109762" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 232px; CURSOR: hand; HEIGHT: 167px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_9vYrz0CJ2NA/SiVbd8s_IkI/AAAAAAAAAhk/WLatpLVGHvY/s320/JeanB%C3%A9raud++Au+Caf%C3%A9.jpg" border="0" /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
 &lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Os acontecimentos aqui narrados são imaginários e qualquer semelhança com coincidências terá sido fatos reais.
&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;p&gt;
&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Existem algumas cenas de cinema, que permanecem por muito tempo em nossas memórias. Guardo comigo a visão de Dusty Hofmann mancando pela madrugada de Manhattan em &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Midnight Cowboy;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; do seminarista ajudante de Sean Connery sendo seduzido por uma aldeã, sobre sacos de batatas no mosteiro em &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;O Nome da Ros&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;a&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;; de Max Von Sidow encharcado de suor ao sonhar navegando num rio de cadáveres em &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;A Hora do Lobo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, de Bergmann. &lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;Uma cena entretanto me marca mais profundamente. Não se trata de nenhum grande filme, sequer é uma cena surpreendente, porém por alguma razão, entre outras ela se destaca na minha memória emocional. É em &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Viver Por Viver&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, quando Ives Montand, resolve sair de uma reclusão voluntária num chalé nas montanhas nevadas de Chamonix, após uma paixão impossível. Ele caminha até o carro parado do lado de fora e coberto pela neve. Antes de entrar no carro ele se debruça e com o braço retira a neve acumulada sobre o pára-brisa. Através do vidro, dentro do carro, ele vê sentada a mulher que imaginava nunca mais rever e jamais poder ter ao seu lado. Cresce a música, sobem os créditos, acaba o filme.


Fora do cinema, a realidade tenta nos ensinar que não existem paixões impossíveis por não existirem mais paixões. Que homens e mulheres hoje se relacionam. Tem um caso. Ou ficam. Será ? Não acredito. E isto que sinto por você se chama o que ? Creio não haver mais com tanta freqüência a “paixão impossível”, porque a sociedade se tornou mais complacente, mais compreensiva, talvez até cansada de ver romeus e julietas se multiplicarem. &lt;/div&gt;


&lt;div align="justify"&gt;Não existem mais tanta impossibilidade para o amor quanto existia antes. Casamentos se desfazem, distâncias são vencidas, enormes diferenças de idade ignoradas, barreiras sociais e religiosas caem por terra, culturas distintas são assimiladas, tudo em nome do amor. Tudo isso praticamente eliminou a impossibilidade, não a paixão. Hoje ela apenas não maltrata tanto quanto antes. O que impede o amor agora entre duas pessoas, é apenas a misteriosa energia que emana de cada uma delas e as fazem vibrar em sintonias semelhantes ou diferentes, mantendo-as mais ou menos afastadas. Ou mais ou menos próximas. &lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;

Mas, esta é também a mesma energia que as une de forma inapelável, as vezes subitamente, as vezes lentamente, mas sempre irresistível. O próprio cinema nos mostra isso. Como Marcelo Mastroianni e Shirley Maclaine em &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Paixão de Outono&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, que esperaram por 40 anos ela ficar viúva, para no mesmo dia do funeral confessarem um amor latente. Ou Clint Eastwood e Maryl Strep, em &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;As Pontes de Madison&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, que em uma semana amaram-se para toda a vida. Ou Jeremy Iron e Juliette Binoche em &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Perdas e Danos&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, que desistiram de lutar contra a inexplicável energia. &lt;/div&gt;

Talvez a vida real não tenha o mesmo charme que a das telas, mas uma imita a outra e os finais felizes nem sempre parecem ser assim para todos. Mas são; para quem percebe que o amor é bem mais forte que a lógica. Não importa quem acaba com quem, se serão felizes para sempre ou se seguirão caminhos diversos depois do amor. Ou do filme. O que importa é que de uma forma ou de outra, ele fez a história. &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;The end.
&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2040266667686250728-847737177668067038?l=gavazzamarco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/feeds/847737177668067038/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2040266667686250728&amp;postID=847737177668067038&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/847737177668067038'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/847737177668067038'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/2009/05/real-life-presents.html' title='The Real Life Presents:'/><author><name>Marco Gavazza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05983918374674130411</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_9vYrz0CJ2NA/SiVbd8s_IkI/AAAAAAAAAhk/WLatpLVGHvY/s72-c/JeanB%C3%A9raud++Au+Caf%C3%A9.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2040266667686250728.post-1400897271005657816</id><published>2009-04-19T14:51:00.001-03:00</published><updated>2009-04-19T15:36:38.488-03:00</updated><title type='text'>Full Moon</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_9vYrz0CJ2NA/SeturYthp0I/AAAAAAAAAbs/ol7jiBabghw/s1600-h/relÃ³gio.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5326472675942573890" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 124px; CURSOR: hand; HEIGHT: 83px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_9vYrz0CJ2NA/SeturYthp0I/AAAAAAAAAbs/ol7jiBabghw/s400/rel%C3%B3gio.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;
&lt;div align="justify"&gt;Surpreende-me a lucidez de certas pessoas diante do que as cerca. Não concordo com algumas das suas verdades, mas respeito profundamente o fato delas serem tão definidas e principalmente autenticas, embora passageiras. Não passageiras em função do tempo vivido nem do tempo por viver, mas porque é da natureza de quem se ocupa com a mecânica da vida ser dinâmico; já que ela própria, a vida, assim o é. &lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;A certeza de hoje será a dúvida de amanhã ou talvez o contrário. &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;

&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;

&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;

&lt;div align="justify"&gt;Considerações sobre o bem e o mal, Borges, igualdade, conhecimento, sabedoria e outras coisas deste pântano que é o pensamento; me parece bom motivo para abrir debates imaginários. Discordar de &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Borges&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, das &lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;Escrituras&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;, das letras de &lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;John Lennon&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; da utilidade das pirâmides ou de qualquer outra coisa considerada definitiva, não é audácia. Certas pessoas buscam se ajustar ao mundo; outras procuram ajustar o mundo a sí. Portanto, deve-se às segundas qualquer progresso que acontece; caso contrário o mundo permaneceria inalterado indefinidamente. Concordamos portanto em discordar. &lt;/div&gt;

&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;

&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;

&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;

&lt;div align="justify"&gt;Deixemos de lado o céu e o inferno de Borges, já que todo mundo desenvolveu aquilo que chama de modo de ver e sentir o mundo em cima da vida concreta, real; enquanto Borges sobrevoava o terreno do desconhecido, do pós-morte e a visão católica de premio e castigo. Para muita gente a visão do mundo me parece exatamente o que ela própria é: ingênua, romantica e sonhadora. Nada mais belo entretanto que a ingenuidade, o romantismo e o sonho. &lt;/div&gt;

&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;

&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;

&lt;div align="justify"&gt;Discordamos a partir da possibilidade que se levanta, do bem e do mal serem faces de uma só moeda, na qual a cultura ocidental é o metal que as separa. Não falo do bem que existe em mim quando ajudo uma velhinha a atravessar a rua ou do mal que existe, também em mim, quando troco as etiquetas de preço no supermercado. Falo do &lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;Bem&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; e do &lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;Mal&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; maísculos. Não consigo ver &lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;Ghandi &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;exterminando ingleses em câmaras de gás, nem consigo ver &lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;Hitler&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; recebendo refugiados cubanos. Menos ainda, consigo vê-los sentados à mesma mesa, sequer para uma partida de gamão. O essencialmente bom e o essencialmente mau trilham caminhos diferentes em direções diferentes. Estão separados não por uma cultura ocidental, oriental (onde bem e mal também existem e o mau é punido impiedosamente), mediterrânea ou polar: estão separados naturalmente. Eles são anteriores às culturas e não o contrário. Antes que &lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;Moisés&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; descesse do Monte Sinai para informar à humanidade que matar é pecado, alguns homens matavam e outros não. Depois que ele fez a sua performance, com aquelas pedras gravadas, raios, trovões e tudo mais; nada mudou. Bem e Mal continuaram existindo espontaneamente e incompatíveis. São moedas diferentes. Não dá para cambiar 6 Maus por 1,5 Bom ou 3 Bons por 12 Maus. Entendo porém, que mesmo vendo as coisas desta forma, surgem duas perguntas fundamentais. A primeira é: há que se conviver com as duas moedas por sermos simplesmente seres humanos ? A segunda é: há que se punir os maus e premiar os bons ? Para mim, ambas as respostas são um audacioso não. A convivência entre o bem e o mal plenos, é desnecessária e naturalmente inviável. São dois anjos de uma asa só, abraçados; mas cada um voando para um lado. Quanto à premiar ou punir, é incoerente e inútil; pois usamos um código para avaliar outro completamente diferente. Cada qual encontra sozinho e a seu modo, aquilo que considera ele próprio, o premio ou a punição. À menos que os seguidores da ética dos monges avaliassem apenas os monges, enquanto os que seguem a ética dos piratas avaliassem apenas os piratas. O que os levaria, involuntariamente, de volta a Borges. Que inclusive tem uma imagem muito bonita para descrever a natureza humana. Ele diz que ela é como um pássaro de quatro asas, que voa simultaneamente para o Norte e o Sul, o Leste e o Oeste. &lt;/div&gt;

&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;

&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;

&lt;div align="justify"&gt;Sei que esta questão é inesgotável, por isso quero encerrar a discussão. Sou hoje uma pessoa em formação. Avaliando ainda a mim mesmo. Jogando coisas fora e tentando por novas em andamento. Não estou pessimista, não estou amargo, não estou cruel. Estou me reestruturando. Levo a vantagem da experiência adquirida e a desvantagem da perplexidade tardia. Cometi grandes enganos neste tempo e tive que identifica-los e me recuperar deles rapidamente. Quanto às minhas certezas, são barco e velas que mudam de rumo em meio à travessia. Navegar é impreciso, corrigir bruscamente a rota às vezes indispensável, mas é inquietante. Se a literatura não me fizer gente, que ao menos a vida, as marés e suas surpresas o façam. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2040266667686250728-1400897271005657816?l=gavazzamarco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/feeds/1400897271005657816/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2040266667686250728&amp;postID=1400897271005657816&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/1400897271005657816'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/1400897271005657816'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/2009/04/full-moon.html' title='Full Moon'/><author><name>Marco Gavazza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05983918374674130411</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_9vYrz0CJ2NA/SeturYthp0I/AAAAAAAAAbs/ol7jiBabghw/s72-c/rel%C3%B3gio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2040266667686250728.post-8635842606219877524</id><published>2009-03-22T14:03:00.003-03:00</published><updated>2009-03-22T14:22:58.886-03:00</updated><title type='text'>O Verão de '42.</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_9vYrz0CJ2NA/ScZzp9nvL_I/AAAAAAAAAaE/-bKCzupqASA/s1600-h/Cartaz.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5316063574910513138" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 150px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_9vYrz0CJ2NA/ScZzp9nvL_I/AAAAAAAAAaE/-bKCzupqASA/s400/Cartaz.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;
&lt;div align="justify"&gt;Quando assisti pela primeira vez &lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;O Verão de 42&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; (Summer of ’42) fiquei fascinado pelo personagem &lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;em&gt;Ermie&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;, um adolescente sonhador, romântico, puro, ingênuo e sensível. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;

Para quem não viu o filme, &lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;em&gt;Ermie&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; e mais dois amigos estão passando o verão numa pequena cidade na costa da Flórida e em busca de suas primeiras experiências sexuais. Dos outros dois amigos, um é um garoto bem menor, completamente desajeitado, amedrontado e desconhecedor de qualquer vestígio ou possibilidade de relacionamento sexual. Pouco importante tanto na aventura quanto no roteiro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;

O terceiro personagem é o &lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;em&gt;Oscy&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;. Esperto, cheio de malícia e esquemas para tentar a descoberta do mistério que os fascina e amedronta. Anda com uma camisinha no bolso para dar sorte.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;em&gt;Ermie&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; apaixona-se por &lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;em&gt;Dorothy&lt;span style="color:#330033;"&gt;,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; personagem de &lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;Jennifer O'Neill&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;, uma belíssima mulher que vive sozinha numa casa espetada à beira de uma escarpa e de frente para o sempre mal humorado Atlântico Norte. &lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;em&gt;Dorothy&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; é casada com um soldado, que está na Europa em Guerra e acaba morrendo em combate, abrindo caminho para que &lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Ermie&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; realize seu sonho impossível. Em uma magistral cena cinematográfica, &lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;em&gt;Dorothy&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; arrasada e desnorteada com o telegrama recebido onde o Governo do Estados Unidos lamentava informar etc. acaba recebendo a inesperado visita de &lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;em&gt;Ermie &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;e entre lágrimas e uma carência abissal, faz sexo, amor e saudade ao mesmo tempo, com ele.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Na época, achei o &lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Oscy &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;um exemplo de insensibilidade e machismo, interessado apenas em dar um jeito de comer alguém, desprezando completamente sentimentos e atropelando emoções.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
O tempo passou e agora encontro Summer of ’42 em DVD, abandonado numa locadora que liquida seu estoque. Compro e assisto de novo. E acho o &lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;em&gt;Ermie&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; um grande ingênuo, masoquista e sofredor, enquanto vejo no &lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Oscy &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;o sábio de toda a história. Se a intenção era descobrir o sexo, que isto tivesse sido feito e fim de papo.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Objetividade, sem envolvimentos desnecessários e emoções para arrastar pelo resto da vida. &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Freud&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; aplaudiria de pé. Isto sim é que significa saber o que se quer da vida. Por isso ele rapidamente fatura a linda loirinha &lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Miriam&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; e experimenta o sexo até ficar trôpego, quase desfalecendo em plena areia de Malibu.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Como &lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Ermie&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; e &lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;em&gt;Oscy&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; não mudaram nada, visto serem personagens de ficção gravadas em 35 mm de celulóide, portanto mudei eu. Os mais críticos e sensíveis dirão que perdi a emoção, os valores acima do sexo e do descartável, aqueles só revelados pelo amor, pelo sentimento, pela entrega total.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Acho que não os perdi, mas tenho certeza de que os gastei bastante. Milhares de páginas de poemas lidos e escritos, de canções cantadas e choradas, quilômetros e mais quilômetros de terra, céu ou mar atravessados em busca de um par de olhos ou de um sorriso, incontáveis horas olhando o telefone e a caixa de correspondência parecem ter esgotado em grande parte as minhas possibilidades de ser –novamente- &lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Ermie&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Porque junto com o amor vem o desamor, a tristeza, a dor de ver tudo se acabar, a certeza de que não é preciso tanto sofrimento para se saber capaz de amar. Como diz o velho &lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;Vinícius,&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;é muito triste quando se vê tudo morrer e ainda existe o amor que mente para esconder que o amor presente não tem mais nada para dizer&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;. Para continuar com o apoio da música brasileira, troco de disco e deixo o complemento para Chico Buarque, que diz &lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;hoje eu tenho apenas uma pedra no meu peito, exijo respeito, não sou mais um sonhador. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;Antes de amar qualquer pessoa é preciso que amemos a nós mesmo, caso contrário estaremos anulando qualquer possibilidade futura de querer bem.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Há um limite para o querer bem e este limite é que permite aos que o descobrem, seguir querendo. Parece um contra-senso, mas tem lógica. Se alguém abre mão de tudo por amor, estará abrindo mão de si próprio e portanto da própria validade de seus atos e sentimentos.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Oscy&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; gostaria muito de ir para a cama com &lt;span style="color:#660000;"&gt;Dorothy&lt;/span&gt;, mas sabia que isto só seria possível pelo caminho do sofrimento e preferiu não abrir mão de nada, nem da alegria em suas férias e menos ainda se afastar do seu objetivo. Estava certo.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Se você pretende passar a sua vida no alto de uma montanha, não tem sentido se apaixonar por uma sereia. O amor não é cego nem mudo. Talvez nos deixe um pouco burros, mas ele sempre nos mostra claramente a possibilidade de sermos felizes ou não.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Daí em diante, é uma questão de auto-estima. Neste verão de 2009, fico com &lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;Oscy&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2040266667686250728-8635842606219877524?l=gavazzamarco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/feeds/8635842606219877524/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2040266667686250728&amp;postID=8635842606219877524&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/8635842606219877524'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/8635842606219877524'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/2009/03/o-verao-de-42.html' title='O Verão de &apos;42.'/><author><name>Marco Gavazza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05983918374674130411</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_9vYrz0CJ2NA/ScZzp9nvL_I/AAAAAAAAAaE/-bKCzupqASA/s72-c/Cartaz.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2040266667686250728.post-5897066050827136977</id><published>2009-03-14T21:19:00.007-03:00</published><updated>2009-03-22T15:12:10.838-03:00</updated><title type='text'>Carta Anônima</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Escreves em vermelho, a cor da paixão ou quem sabe, da tragédia. Por isso, me refugio no Georgia, corpo 14, a fonte anônima de um computador cheio de recordações. &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Memória é apenas o hardware. A vida é software.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; Não há o que perdoar pelo tempo que se passou entre minha carta e a sua. A rampa do amor carece de dedicação e percebo que estás ladeira acima, embora com o freio de mão puxado, o que só faz tornar mais árdua e lenta a subida. &lt;/em&gt;esta altura você já percebeu que estou com ciúme. Sou assim. Possessivo, exclusivista, egoísta centralizador, insuportável. Ácido, mordaz, irônico, dominador, perigoso. &lt;em&gt;Os diferentes são aqueles que fisicamente não se parecem conosco. Os semelhantes possuem o mesmo tom de pele, o mesmo olhar, a mesma velocidade. A mente e suas preferências costumam moldar o corpo. Por isso é fácil, quando se está atento, reconhecer quem gosta de cool jazz e quem é axé. Quem lê &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Manoel Puig&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; e quem lê &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Caras.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; Quem faz do amor um bote salva-vidas e quem faz dele, o próprio mar. &lt;/em&gt;&lt;em&gt;Estive procurando você em Montevidéo. A cidade parece uma cápsula, onde o tempo permanece perplexo. A qualquer instante um ônibus para o passado pode atravessar seu caminho e é preciso ter cuidado para não se perder entre espanhóis que ainda tentam dominar qualquer coisa, ouro sem brilho, bocas sem dentes, seios exagerados, cabelos negros como a &lt;span style="color:#660000;"&gt;definitiva noite que se espalha en Latino America. Soy loco por ti de amores. Capinam é um gênio. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;Não considero indispensável a compatibilidade total para que a vida se torne mais suave. O amor é um grande espelho, mas é quase nada. É feito de coisas voláteis, miudezas, indícios, possibilidades. Coisas que se enroscam com o elevador lotado, o sinal fechado, o despertador quebrado, o imposto territorial. Crie espaço; é fácil. Primeiro, deixe que toquem &lt;span style="color:#660000;"&gt;Fantasmão&lt;/span&gt;; não espere que ninguém se preocupe com a força centrífuga. Esqueça a luta armada, a bala perdida, &lt;span style="color:#660000;"&gt;Lula&lt;/span&gt;, o mensalão, &lt;span style="color:#660000;"&gt;Dilma Neves Serra&lt;/span&gt; (assim mesmo, sem vírgulas) e os grampos. Depois, faça sexo, o mais que puder; durma e acorde na hora certa; tome uma aspirina por dia; ria, ria muito. Se isto resolve alguma coisa? Não sei. Nunca consegui fazer nem a primeira parte.
&lt;em&gt;Por que estou com ciúmes de você ? Nunca ouvi tua voz, nunca senti o teu olhar, nunca minha mão tocou em teus cabelos, jamais escutamos juntos &lt;span style="color:#660000;"&gt;As Times Goes By.&lt;/span&gt; Somos até aqui, amigos virtuais e amigos costumam ficar felizes com a felicidade do outro. Acho que estou feliz por você ter encontrado alguém com quem possa flutuar. Mas estou com ciúme. É estranho. Eu sou estranho. &lt;/em&gt;Estou me sentindo cansado. Tenho trabalhado bastante, durmo muito pouco, não tenho férias há mais de 5 anos. Encontro muita dificuldade para relaxar. As coisas me deixam em eterno estado de vigília. Qualquer coisa. Até o lazer. Leio compulsivamente, como compulsivamente, olho para o aparelho de som e não me animo a escutar o que gosto. Por que toda a mídia nos ajuda a identificar situações de estresse e nunca nos diz como sair delas? Não gosto da medicina. Incomoda-me seu princípio de ter compromisso com os métodos e não com os resultados. Acho que pouco sabemos sobre a mecânica da vida. Muito menos os médicos, sempre às voltas com laboratórios. Por isso não os procuro. Lembro &lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;Drummond:&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#660000;"&gt;“do lado esquerdo carrego os meus mortos, por isso ando meio de lado.” &lt;/span&gt;&lt;em&gt;Acho que sei porque tenho ciúmes de você. Na verdade, não é bem ciúmes, naquele sentido físico de não querer que ninguém te toque. É uma espécie de frustração por não poder conviver com alguém com tantos paralelos de personalidade e cultura, sabendo que há alguém que pode fazer isso sempre que desejar. Talvez por nos acharmos raros, não no sentido vaidoso, mas no aspecto da configuração. Aí dá uma ponta desta coisa que chamo de ciúme. Já enchi sua paciência, imagino, falando deste assunto. Esqueça. &lt;/em&gt;Não vou viajar neste meio de ano. Tinha programado uma ida até Buenos Aires para pesquisar um pouco Borges e comprar alguns originais em espanhol, mas tive que refazer orçamentos atendendo a um pedido cordial de &lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;Obama&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; e portanto, nada de viagens. No máximo uma esticada até Mar Grande. Mas vale a pena. A sensação de quase não ter dívidas é muito tranqüilizadora. Mesmo que custe 2 litros de café e 60 Camels by day. &lt;em&gt;Sinto-me por vezes também hesitante diante do comportamento das pessoas e me pego pensando: não é possível que todas estas pessoas sejam obtusas e eu o único sensato. Tem que ser ao contrário. Elas é que estão sabendo viver e eu aqui detonando meus neurônios com bobagens como sentido da vida, origem de tudo, finalidade, por aí vai. Mas aí, entra uma loteria perigosíssima: se a nossa energia vital se restringir a este planeta, é claro que eles estão certos. Temos que viver da maneira mais confortável possível por aqui e tudo isto se torna perda de tempo. Mas, se a energia seguir seguindo? Ela precisa estar com um mínimo de purificação para ir adiante, senão jamais chegará ao núcleo central. Nesta segunda hipótese, nos estaremos&lt;/em&gt; certos.
No filme &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Antes de Partir&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, Morgan Freeman e Jack Nicholson fazem dois portadores terminais de câncer. &lt;span style="color:#660000;"&gt;Morgan &lt;/span&gt;acredita em Deus e na vida eterna; &lt;span style="color:#660000;"&gt;Jack &lt;/span&gt;não. Em determinado momento do filme eles discutem sobre isso e Jack encerra a conversa dizendo: &lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;"Sabe qual é a vantagem que eu levo sobre você? Se eu estiver errado, eu saio ganhando."&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; É uma verdade estranha, mas é uma verdade.  &lt;em&gt;Já te disse que coleciono sapos? Não os vivos, mas os de qualquer material inanimado. Tenho mais de 20 sapos espalhados em casa. Em cerâmica, pedra, vidro, metal, gesso etc. Tenho sapos de várias origens geográficas e de todas as formas. Um deles, oriental, deve ter sempre na boca uma moeda, o que segundo os orientais fará com que a fortuna esteja sempre presente. Outro, minúsculo, deve ser mantido sempre perto de dinheiro, pois fará com que este se multiplique. Nenhum entretanto existe que garanta qualquer tipo de sentimento. Por vezes me sinto um dos sapos. Mas, sapo mesmo, sem qualquer vocação para príncipe ou o menor vestígio de princesas pra me beijar. &lt;span style="color:#660000;"&gt;There’s no future in it, Eve; we never should begin’it, Eve. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;Certa vez perguntaram a Jorge Luis Borges qual o significado da frase &lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;em&gt;“Ninguém o viu desembarcar na unânime noite”,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; que abre o seu magistral conto &lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;As Ruínas Circulares&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;. O que seria a unânime noite? O período obscuro do peronismo ou a sangria dos governos militares? Quem seria o passageiro que desembarcava na noite? Algum herói? Um idealista? Meio surpreendido, Borges respondeu que a frase não significava rigorosamente nada. Ele apenas achara ser uma boa frase para começar um conto. É também, uma boa história para terminar uma carta. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2040266667686250728-5897066050827136977?l=gavazzamarco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/feeds/5897066050827136977/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2040266667686250728&amp;postID=5897066050827136977&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/5897066050827136977'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/5897066050827136977'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/2009/03/carta-anonima.html' title='Carta Anônima'/><author><name>Marco Gavazza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05983918374674130411</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2040266667686250728.post-5259846842922379860</id><published>2009-02-14T16:22:00.007-03:00</published><updated>2009-02-14T17:41:18.639-03:00</updated><title type='text'>Fragmentos</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_9vYrz0CJ2NA/SZciBK7NotI/AAAAAAAAAVU/45jHFkKNFmE/s1600-h/Carnaval+3.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5302744489759974098" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 282px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_9vYrz0CJ2NA/SZciBK7NotI/AAAAAAAAAVU/45jHFkKNFmE/s400/Carnaval+3.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;




&lt;em&gt;&lt;/em&gt;
&lt;em&gt;&lt;/em&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Pedaços de pensamento, aparentemente sem conexão alguma, frutos de um certo ócio da temporada, quando os neurônios acordam mais tarde, se movimentam lentos sob os 40º centígrados do ambiente e perguntam meio sonolentos se já acabou o horário de verão e começou a temporada da Fórmula 1. Que nada. Ainda falta o Carnaval para o Brasil acordar e quem sabe, ler alguma coisa. &lt;/em&gt;



&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;



&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;



&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5302739773962992562" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 263px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_9vYrz0CJ2NA/SZcdurNmO7I/AAAAAAAAAVE/xb3BrhqTZFw/s400/carnaval_rio.jpg" border="0" /&gt; &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;O SILÊNCIO &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;

&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há pouco arrumava uns recortes de jornais e alguns cadernos de cultura da Folha, que insisto em guardar e encontrei uma matéria especial sobre &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Jorge Luis Borges&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, um escritor argentino já falecido (morreu aos 93 de idade e cego desde os 50) e que me abriu as portas do pensamento livre. Leio e guardo tudo dele ou sobre ele, pois &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;“El Brujo”&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; sem dúvida foi o escritor mais importante do século XX. Nesta matéria está reproduzida uma carta escrita por Borges, onde em certo trecho ele diz: &lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;“...uma moça a quem fiz a corte em Palma e da qual cada silencio era uma obra de arte”&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;. Acho que o conceito de silencio concebido, trabalhado como uma obra de arte, é uma verdadeira descoberta borgiana e de uma profundidade absoluta. Somente momentos especiais merecem obras de arte a respeito, sejam elas músicas, poemas, pinturas ou silêncios.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;


&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;A VÍRGULA &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;

&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Existe um poema de &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Lord Byron&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, criado por volta de 1800, chamado &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Não Mais Passearemos,&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; onde em certo momento ele escreve: &lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;“chega um instante em que o coração precisa tomar fôlego e o amor, descansar.”&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; Embora todo o poema seja admirável, o que mais me fascina nele, é a vírgula. Acho que nunca, em tudo que já li, encontrei uma vírgula tão perfeita, capaz de dar ao verbo a respiração exata e concreta, para seu significado de repouso.
&lt;/div&gt;

&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;


&lt;div align="justify"&gt;
&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;OS ASTROS &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;

&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Leio num horóscopo para o meu signo, o seguinte: &lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;“Seu momento é de definições, não só em relação ao amor, mas a tudo o que você busca para a sua vida. Reflita bastante antes de agir.”&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; Não acho, nem poderia achar, nada sobre a vontade dos astros. Eles são soberanos em suas órbitas. Sei apenas que eles definem um pouco do que somos e podem sinalizar algumas coisas ao longo da vida. Quanto a refletir bastante antes de agir, me parece um conselho aplicável a todos os signos especialmente àqueles que regem as vidas dos que mandam neste país. &lt;/div&gt;

&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;

&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;

&lt;div align="justify"&gt;
&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;A MÚSICA&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;

&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;



&lt;div align="justify"&gt;
Gosto de ir buscar na música, palavras que parecem retratar fatias da vida, (em inglês é mais bonito: &lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;slices of life&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;) como se a arte insistisse em imitá-la, mesmo sabendo que isto não tem serventia, como tem a porta da rua para o indesejado e para a filosofia popular. Na noite deserta desta casa ouço alguém que ao longe escuta &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Maria Bethânia&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; dizendo ser &lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;“a chuva que lança a areia do Saara sobre os automóveis de Roma, a sombra da voz, você não me pega, você nem chega a me ver. O cheiro dos livros desesperados não sou eu; seu olho me olha, mas não me pode alcançar”.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; Mesmo porque quase ninguém rezou a novena de &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Dona Canô&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, talvez não tenha sequer existido o mendigo &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Joãozinho Beija Flor&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, mas suas pegadas estão em todas as ruas enlameadas da vida.
&lt;/div&gt;

&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;




&lt;div align="justify"&gt;
&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;O SONHO &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;

&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O tempo da gente já se consumiu? Os barcos na enseada se alinham em paralelas onduladas, apontam um lugar qualquer no horizonte, por onde passou silencioso numa noite qualquer um vapor barato ou um luxuoso transatlântico. O lusitano comandante tinha razão. Dali pra frente só podia piorar para que todos continuássemos a flutuar. Segundo ele, &lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;"tudo que flutua balança e se deixou de balançar é porque já não flutua mais"&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;. O amor é assim um pouco oceânico e pode deixar na gente aquela estranha sensação de ter ido a &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Goree&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; só porque pensamos em comprar a passagem e nos lançar ao mar. Daí, a cada vez que vemos uma foto da ilha ou do amor ficamos em dúvida. Estive lá ou não estive?
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
 &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;


&lt;div align="justify"&gt;
&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;AS PALAVRAS &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;

&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Antigamente, quando os astronautas iam até a Lua, havia um instante muito tenso na viagem. Era o momento em que eles se viam obrigados a fazer uma órbita em torno dela, para perder velocidade e poder descer até o solo. Durante esta órbita, um momento crítico do vôo, eles ficavam por cerca de seis minutos por trás da Lua, sobrevoando aquela face que nos é oculta e sem qualquer possibilidade de comunicação com a Terra. Durante aqueles seis absolutamente silenciosos minutos, se algo de errado acontecesse, eles somente poderiam abortar a missão e voltar para casa abatidos (como na música de&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt; Vanzollini&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;) ou se espatifarem no terreno misterioso e intocado, feito um pacote bêbado (como na música de &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Chico Buarque&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;). Por alguma razão me sinto assim escrevendo agora, como se estivesse no lado escuro da Lua, de onde minhas palavras não chegam a lugar nenhum.
&lt;/div&gt;


&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;


&lt;div align="justify"&gt;
&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;O CINEMA &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;

&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Existem algumas cenas de cinema, que permanecem por muito tempo em nossas memórias. Guardo comigo a visão de &lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;Dusty Hofmann&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; mancando pelas madrugadas de Manhattan em &lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;Midnight Cowboy&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;; do seminarista ajudante de &lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;Sean Connery&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; sendo seduzido por uma aldeã, sobre sacos de batatas no mosteiro em &lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;O Nome da Rosa&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;; de &lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;Max Von Sidow&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; encharcado de suor ao sonhar navegando num rio de cadáveres em &lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;A Hora do Lobo&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;, de Bergmann. Uma cena entretanto me marca mais profundamente. Não se trata de nenhum grande filme, sequer é uma cena surpreendente, porém por alguma razão, entre outras ela se destaca na minha memória emocional. É em &lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;Viver Por Viver&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;, quando &lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;Ives Montand&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;, resolve sair de uma reclusão voluntária num chalé nas montanhas nevadas de Chamonix, após uma paixão impossível. Ele caminha até o carro parado do lado de fora e coberto pela neve. Antes de entrar no carro ele se debruça e com o braço retira a neve acumulada sobre o pára-brisa. Através do vidro, dentro do carro, ele vê sentada a mulher que imaginava nunca mais rever e jamais poder ter ao seu lado. Cresce a música, sobem os créditos, acaba o filme. &lt;/div&gt;




&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;




&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;




&lt;div align="justify"&gt;Fora do cinema, a realidade tenta nos ensinar que não existem paixões impossíveis por não existirem mais paixões. Que homens e mulheres hoje se relacionam. Tem um caso. Ou ficam. Será ? Não acredito. Creio não haver mais com tanta freqüência a “paixão impossível”, porque a sociedade se tornou mais complacente, mais compreensiva, talvez até cansada de ver romeus e julietas se multiplicarem. Não existem mais tanta impossibilidade para o amor quanto existia antes. Casamentos se desfazem, distâncias são vencidas, enormes diferenças de idade ignoradas, barreiras sociais e religiosas caem por terra, culturas distintas são assimiladas, tudo em nome do amor. Tudo isso praticamente eliminou a impossibilidade, não a paixão. Hoje ela apenas não maltrata tanto quanto antes. O que impede o amor agora entre duas pessoas, é apenas a misteriosa energia que emana de cada uma delas e as fazem vibrar em sintonias semelhantes ou diferentes, mantendo-as mais ou menos afastadas. Ou mais ou menos próximas. Mas, esta é também a mesma energia que as une de forma inapelável, às vezes subitamente, às vezes lentamente, mas sempre irresistível. O mesmo cinema nos mostra isso. &lt;/div&gt;




&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;




&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;




&lt;div align="justify"&gt;Como &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Marcelo Mastroianni&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Shirley Maclaine&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; em &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Paixão de Outono&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, que esperaram por 40 anos ela ficar viúva, para no mesmo dia do funeral confessarem um amor latente. Ou &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Clint Eastwood&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Maryl Strep&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, em &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;As Pontes de Madison&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, que em uma semana amaram-se para toda a vida. Ou &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Jeremy Iron&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Juliette Binoche&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; em &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Perdas e Danos&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, que desistiram de lutar contra a inexplicável energia. Talvez a vida real não tenha o mesmo charme que a das telas, mas uma imita a outra e os finais felizes nem sempre parecem ser assim para todos. Mas são, para quem percebe que o amor é bem mais forte que a lógica. Não importa quem acaba com quem, se serão felizes para sempre ou se seguirão caminhos diversos depois do amor. Ou do filme. O que importa é que de uma forma ou de outra, ele fez a história. &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;The end.
&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;

&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;



&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;O AMOR&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;

&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;

&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;

&lt;div align="justify"&gt;
O enigma de &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Coleridge&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; jamais saiu do meu painel luminoso, piscando cadenciado na noite infinita: &lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;“e se você dormisse, e se você sonhasse, e se no sonho você fosse ao paraíso e colhesse uma rosa, e se ao acordar a rosa estivesse em suas mãos; e então?”&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; Meu guia e mapa, ele me orienta em direção a esta rosa misteriosa, a este fragmento de paraíso que podemos conquistar sem sair do lugar, apenas com o coração aberto ao amor. E então? A pergunta ilumina a espaçonave, atravessa suas blindadas escotilhas e se lança no espaço qual cometa vermelho, meio botão de rosa, meio coração ferido, espalhando às vezes pétalas, às vezes gotas de sangue, no universo sem limites.
&lt;/div&gt;





&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;AS CONEXÕES &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;


&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;

&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aprendi com as &lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;Profecias Celestinas&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;, que não existem coincidências, que nada acontece por casualidade. Acredito nesta tese e estou sempre atento a tudo que possa parecer acidental em minha vida. Acho que o silencio, a vírgula, os astros, a música, o sonho, as palavras, o cinema, o amor, juntos, dizem alguma coisa. Claro que tudo é muito vago e misterioso. Sou quase um desconhecido para mim mesmo e sei que nada no mundo pode neste instante, fazer com que qualquer coisa tenha sentido, possibilidade e objetivo. Mas sei também que somos capazes de criar apenas os desencontros. Os encontros, estes só precisam do tempo, porque são inevitáveis. Como o silencio, a virgula, a música, os astros etc. etc. etc.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2040266667686250728-5259846842922379860?l=gavazzamarco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/feeds/5259846842922379860/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2040266667686250728&amp;postID=5259846842922379860&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/5259846842922379860'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/5259846842922379860'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/2009/02/fragmentos.html' title='Fragmentos'/><author><name>Marco Gavazza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05983918374674130411</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_9vYrz0CJ2NA/SZciBK7NotI/AAAAAAAAAVU/45jHFkKNFmE/s72-c/Carnaval+3.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2040266667686250728.post-7222475009177633887</id><published>2009-01-29T14:17:00.005-03:00</published><updated>2009-01-29T14:36:10.410-03:00</updated><title type='text'>Chico: Amores serão sempre amáveis (Final)</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_9vYrz0CJ2NA/SYHl89StCiI/AAAAAAAAAUM/-phS4irkd6U/s1600-h/Chico+Domina.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5296767472172337698" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 284px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_9vYrz0CJ2NA/SYHl89StCiI/AAAAAAAAAUM/-phS4irkd6U/s400/Chico+Domina.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;

&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Seria portanto Chico Buarque de Hollanda um machista irredutível e asqueroso, que só vê a mulher como uma entidade a serviço do homem, sob sua orientação e guarda ?
&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;
Nem tanto. Ou pelo menos nem sempre. A partir da moça feia iludida com o som da banda Chico Buarque tratou de forma bem melhor as mulheres em inúmeras ocasiões, todas elas de uma beleza difícil de ser igualada.
&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;
A habilidade jamais superada por qualquer compositor vivo ou morto, em lidar com as palavras da língua portuguesa, permitiu a Chico Buarque escrever coisas como &lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;...ela faz que não dá conta de sua graça tão singela, o pessoal se desaponta, vai pro mar, levanta a vela.
&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;
Esta belíssima frase, de uma simplicidade franciscana em sua fluência, uma riqueza barroca em sua imagem e uma complexa erudição em sua construção musical, está em &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Januária&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, uma declaração de amor praieira, por uma musa pela qual &lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;...até o mar faz maré cheia pra chegar mais perto dela.
&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;
&lt;span style="color:#000000;"&gt;Januária&lt;/span&gt;, junto com &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Carolina&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; parecem traduzir os dois momentos de maior ternura pela mulher em toda a carreira de Chico Buarque. Carolina também trás em sua letra momentos de incrível lirismo. &lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Carolina, nos teus olhos fundos, guardas tanto amor, o amor de todo este mundo (...) &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;Carolina e Januária são momentos de carinho, afago, namoro, cuidado, pureza e inocência.
&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;
Outro destes momentos de reverência pela mulher está na simplicidade de &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Juca&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, uma composição que até Ari Barroso poderia chamar carinhosamente de sambinha, por sua singeleza e que vale a pena reproduzir a letra inteiramente.
&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;
&lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Juca foi autuado em flagrante, como meliante, pois sambava bem diante da janela de Maria, bem no meio da alegria a noite virou dia, o seu luar de prata virou chuva fria, sua serenata não acordou Maria. / Juca ficou desapontado e declarou ao delegado não saber se amor é crime, se samba é pecado e em legítima defesa batucou assim na mesa: o delegado é bamba na delegacia, mas nunca fez samba, nunca viu Maria.
&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;
Bonito demais. No decorrer de sua obra, a louvação à mulher não é uma constante, embora o tema acompanhado de todo o universo que o cerca, esteja sempre presente, mesmo ou principalmente, nos instantes de mais intensa politização.
&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;
Como em &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Angélica&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; feita para Zuzu Angel, que enfrentava a ditadura e seus prepostos mal humorados, mal amados, mal educados e mal resolvidos; em busca de seu filho desaparecido nas valas comuns abertas pelo país ou mais provavelmente atirado ao mar desde um decadente avião da Força Aérea, que fazia este tipo de vôo rotineiramente para “defender a Nação da ameaça comunista”. Como se eles não fossem muito piores que qualquer outra ameaça.
&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;
Nesta música Chico mescla sua admiração pela coragem de Zuzu (que morreria depois num acidente de carro tão estranho quanto o que matou Juscelino) com uma ternura tristemente respeitosa pela figura feminina. Também vale a pena rever a letra primorosa em sua íntegra.
&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;
&lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Quem é essa mulher, que canta tanto este estribilho, só queria embalar meu filho, que mora na escuridão do mar. /Quem é essa mulher, que canta sempre este lamento, só queria lembrar o tormento, que fez o meu filho suspirar. /Quem é essa mulher, que conta sempre o mesmo arranjo, só queria agasalhar meu anjo, e deixar seu corpo descansar. / Quem é essa mulher, que canta como dobram os sinos, queria cantar por seu menino, que ele já não pode mais cantar. /Quem é essa mulher,que canta sempre este estribilho, só queria embalar meu filho, que mora na escuridão do mar.
&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;
Este talvez seja um dos momentos mais brilhantes da vertente política da obra de Chico Buarque e uma das raras em que a mulher está presente neste contexto. Aqui ele expõe o lado covarde dos crimes praticados por um grupo de generais desconhecedores de toda a cultura humanista mundial e de seus rumos, ao mesmo tempo em que registra a impotência da mulher como mãe diante de atrocidades como estas, com uma infinita beleza.
&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;
Existe um outro momento fascinante desta relação de Chico Buarque com a mulher, quando ele abre talvez, uma porta de emergência para a necessidade de elogiar a figura feminina e dizer o quanto precisa dela, driblando quem sabe a propalada timidez, quem sabe a própria tendência a ser econômico em elogios à mulher. Talvez para dar vazão a uma carência reprimida ele compôs &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Tanto Amar&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; que também precisa da letra inteira para ser apreciada em sua sutileza inigualável.
&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;
&lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Amo tanto e de tanto amar, acho que ela é bonita, tem um olho sempre a boiar e outro que agita. / Tem um olho que não está, meus olhares evita, outro olho a me arregalar, sua pepita. / A metade do seu olhar tá chamando pra luta aflita, a metade quer madrugar na bodeguita. /Se seus olhos eu for cantar, um seu olho me atura, outro olho vai desmanchar, toda a pintura. /Ela pode rodopiar e mudar de figura, a paloma do seu mirar vira miura. /É na soma do seu olhar que eu vou me conhecer inteiro, nasci pra enfrentar o mar, sou faroleiro. / Amo de tanto e de tanto amar, acho que ela acredita, tem um olho a pestanejar e outro me fita. / Suas pernas vão me enroscar num balé esquisito, seus dois olhos vão se encontrar no infinito. / Amo tanto e de tanto amar, em Manágua temos um chico, já pensamos em nos casar, em Porto Rico.
&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;
Aí está. Impossível tecer um poema mais surpreendente para celebrar a beleza feminina em uma manifestação pouco atraente, porém ainda assim bela. Somente o talento inconfundível de Chico e sua profunda sensibilidade, para enfrentar o tema de maneira tão arriscada, mergulhar tão fundo no conceito da beleza feminina isenta da forma e voltar de lá com uma obra prima. Sair-se bem de uma empreitada desta entretanto não exige apenas habilidade, mas um sentimento permanente de admiração pela fonte de inspiração.
&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;
Um pouco deste sentimento e do encanto diante da possibilidade do amor ou de o homem lutar por ele, emerge na magnífica &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Futuros Amantes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; onde, numa das mais brilhantes conceituações a respeito do amor, Chico afirma &lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;(...) amores serão sempre amáveis, futuros amantes quiçá se amarão sem saber, com o amor que um dia eu deixei pra você.
&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;
Irretocável. A definição &lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;em&gt;“amores serão sempre amáveis”&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; é provavelmente a coisa mais bonita que já se escreveu em língua portuguesa a este respeito. A dupla leitura que ele permite é um primor de síntese e pensamento. Assim Chico Buarque é amável, mesmo quando coloca a mulher em situações pouco privilegiadas, dentro do seu universo criativo.
&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;
Essa amabilidade sempre presente no trato com a mulher, mesmo quando a condena a um papel passivo e secundário, revela na obra de Chico Buarque um componente que se acentua quando a melodia se soma à letra: &lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;a mágoa.
&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;
Chico parece ressentido com as mulheres e suas composições dizem isso queixosa e claramente. ao tempo em que as letras são irônicas, machistas, gozadoras, cínicas ou críticas. Enquanto suas letras fustigam as mulheres, suas notas musicais a tratam com absoluta suavidade e enlevo, quase carinhosamente, talvez mostrando pra elas o quanto ele precisa delas, mesmo assim. Esta provavelmente é a combinação mágica que permitiu a Chico Buarque ir até onde foi no coração feminino. &lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;
Se tomarmos como verdadeira a tese nelsonrodriguiana de que toda mulher -exceto as anormais- gosta de apanhar; e se tomarmos também como verdadeira a réplica feminina, de que toda mulher gosta de ser cortejada, Chico matou todas as coelhas, seguindo estes dois princípios simultaneamente. Bater e afagar, num jogo psicológico que desenvolvido até o limite também pelo Marquês de Sade e que subjuga completamente o outro. O cinema e a literatura mostraram isto muito bem em inúmeras ocasiões. Este é também o método dos domadores em circos. Depois do chicote, o torrão de açúcar. As feras preferem obedecer e ganhar um doce que apenas apanhar.
&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;
Mas se formos mais benevolentes com Chico, aceitando que ele não seguiu nenhuma fórmula maquiavélica de forma deliberada para subjugar sua platéia feminina e acharmos que ele apenas fez o que lhe deu vontade de fazer, aí então fica evidente que ele falou com todas as suas representantes, batendo em quem gosta de apanhar e afagando quem se enrosca e chega pro lado, querendo agradar, como disse Caymmi (música João Valentão). Agradou a gregas e troianas. Mulheres de Atenas e Januárias, portanto. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
 &lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5296770637397707106" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 101px; CURSOR: hand; HEIGHT: 137px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_9vYrz0CJ2NA/SYHo1MrPSWI/AAAAAAAAAUU/y6AfYA38eoA/s400/Chico.bmp" border="0" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;
&lt;em&gt;(Este estudo de parte da obra de Chico Buarque foi desenvolvido por mim sem qualquer pretensão acadêmica ou analítica. São apenas as impressões de um incondicional admirador do trabalho deste artista único na arte brasileira.)
&lt;/div&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2040266667686250728-7222475009177633887?l=gavazzamarco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/feeds/7222475009177633887/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2040266667686250728&amp;postID=7222475009177633887&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/7222475009177633887'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/7222475009177633887'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/2009/01/chico.html' title='Chico: Amores serão sempre amáveis (Final)'/><author><name>Marco Gavazza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05983918374674130411</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_9vYrz0CJ2NA/SYHl89StCiI/AAAAAAAAAUM/-phS4irkd6U/s72-c/Chico+Domina.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2040266667686250728.post-7186231276318316625</id><published>2009-01-29T13:58:00.008-03:00</published><updated>2009-01-29T15:37:04.531-03:00</updated><title type='text'>Chico Buarque: resumo dos blocos anteriores</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_9vYrz0CJ2NA/SYHh9XYFuoI/AAAAAAAAAUE/cf_VRH83a60/s1600-h/Tatuagem.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5296763081127737986" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 304px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_9vYrz0CJ2NA/SYHh9XYFuoI/AAAAAAAAAUE/cf_VRH83a60/s400/Tatuagem.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;PRIMEIRA PARTE&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;A moça feia debruçou na janela, pensando que a banda tocava pra ela.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; A partir desta frase meio cruel escondida na letra de &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;A Banda&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, Francisco Buarque de Hollanda iniciava um conturbado relacionamento público com o universo feminino, relacionamento este que se revelaria com o tempo, de extrema riqueza e constante aperfeiçoamento.
...
A machismo de Chico a que me refiro tem a ver com a minha, a sua mulher. A mulher que passa pelo corredor do shopping sem se ver refletida nas vitrines, que não se ilude quando o filho sai na página policial e que manda o marido à merda quando ele chega em casa com oito amigos pra almoçar. A mulher que na vida real chama a mim e a você de machão. Mas que desmaia quando vê Chico Buarque de Hollanda chegando. Porque a vida, infelizmente, não tem o mesmo encanto que a arte.
&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;SEGUNDA PARTE&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A visão da mulher submissa seria assumida plenamente em &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Cotidiano&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; onde ela aparece de corpo inteiro. Talvez se trate da mulher ainda deste mesmo tipo de trabalhador, o pedreiro, pelos detalhes da sua vida, como a hora de acordar e o almoço, descrito na magnífica letra. Mas pode também ser a mulher de qualquer operário.
...
&lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Toda noite ela diz pra eu não me afastar, / meia-noite ela jura eterno amor / e me aperta pra eu quase sufocar / e me beija com a boca de pavor.
&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;A submissão aí é clara, sem metáforas. A mulher cumpre todas as suas supostas obrigações domésticas, de companheira e fêmea, motivada explicitamente pelo pavor de que o seu parceiro a deixe.

&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;TERCEIRA PARTE &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;

Na obra de Chico Buarque mesmo quando a mulher é colocada com destaque em cena, ainda assim é ela que se desespera porque seu homem não a quer mais. Em &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Bastidores&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; ela se dilacera ao vê-lo &lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;pelo salão a caçoar de mim&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; e embora seja o grande sucesso da noite, com os homens a &lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;se rasgar por mim e todo o cabaré me aplaudiu de pé, quando cheguei ao fim,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; ainda assim ela corre apavorada atrás dele, pois &lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;confessa não me troquei, voltei correndo ao nosso lar, voltei pra me certificar que tu nunca mais, vais voltar, vais voltar, vais voltar.
&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;...
Em &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Mulheres de Atenas&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; a interpretação é mais complexa, porque Chico se posiciona de forma dúbia. Tomando os mais explícitos gestos de submissão supostamente praticados pelas mulheres dos guerreiros gregos que (...) &lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;quando fustigadas não choram, se ajoelham pedem, imploram, mais duras penas, ou então quando eles embarcam soldados, elas tecem longos bordados, mil quarentenas&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; e aconselhando suas ouvintes a mirarem-se &lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;no exemplo daquelas mulheres&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;, a visão crítica do papel subalterno da mulher fica tão escancarada que só pode ser interpretada como uma suprema ironia. Mas, e se não foi ironia? E se ele disse exatamente o que queria dizer?  Não há como saber.


&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;
&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;
&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;
&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;
&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;
&lt;strong&gt;QUARTA PARTE &lt;/strong&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt;
&lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Se entornaste a nossa sorte pelo chão, / se na bagunça do teu coração, / meu sangue errou de veia e se perdeu. Como, se na desordem do armário embutido, /meu paletó enlaça o teu vestido /e o teu sapato ainda pisa no meu. Como, se nos amamos feito dois pagãos, /teus seios ainda estão nas minhas mãos, / me explica com que cara eu vou sair. Não, acho que está te fazendo de tonta, /te dei meus olhos pra tomares conta, /agora conta como hei de partir.
&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;A perplexidade masculina diante da mulher que não o quer mais embota tenham feito sexo exaustivamente. Coloca-se também a responsabilidade jogada sobre ela -mais uma vez- por todo o sofrimento masculino. &lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;“Ela”&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; entornou a sorte pelo chão, é &lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;“dela”&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; a bagunça no coração, responsável pela perda dos mais elevados sentimentos do homem.
...
Chico Buarque ao meu ver atinge o máximo de definição desta visão decepcionante, passiva e submissa da mulher numa música praticamente inédita, da qual não conheço qualquer gravação. Seu título é &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Umas e Outras.
&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;...
Até que ponto Chico Buarque de Hollanda, o eterno objeto de desejo das mulheres brasileiras, consegue levar o visível machismo embutido em sua obra? Até onde este machismo reflete uma filosofia própria ou é um grito melódico de socorro pelo casamento que se destroça um pouco mais a cada dia?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2040266667686250728-7186231276318316625?l=gavazzamarco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/feeds/7186231276318316625/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2040266667686250728&amp;postID=7186231276318316625&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/7186231276318316625'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/7186231276318316625'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/2009/01/resumo-dos-blocos-anteriores.html' title='Chico Buarque: resumo dos blocos anteriores'/><author><name>Marco Gavazza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05983918374674130411</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_9vYrz0CJ2NA/SYHh9XYFuoI/AAAAAAAAAUE/cf_VRH83a60/s72-c/Tatuagem.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2040266667686250728.post-8080234187119504220</id><published>2009-01-19T14:48:00.005-03:00</published><updated>2009-01-19T18:02:07.229-03:00</updated><title type='text'>Chico: a bagunça do teu coração (Parte 4)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Esta fase, em que o homem é vítima da falsidade e da insensibilidade da mulher, atinge o seu momento musical mais esplendoroso em &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Eu Te Amo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, quando ele abandona a ironia e vai diretamente ao tema da culpa feminina, numa das composições musicais mais brilhantes que a cultura brasileira pode registrar, em todos os tempos. Um momento sublime de criação que diz o seguinte:

&lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Ah, se já perdemos a noção da hora, /se juntos já jogamos tudo fora, / me conta agora como hei de partir.
Ah, se ao te conhecer dei pra sonhar, / fiz tantos desvarios, rompi com o mundo, queimei meus navios, / me diz pra onde é que inda posso ir.
Se nós nas travessuras das noites eternas, / já confundimos tanto as nossas pernas,/ diz com que pernas eu devo seguir.
Se entornaste a nossa sorte pelo chão, / se na bagunça do teu coração, / meu sangue errou de veia e se perdeu.
Como, se na desordem do armário embutido, /meu paletó enlaça o teu vestido /e o teu sapato ainda pisa no meu.
Como, se nos amamos feito dois pagãos, /teus seios ainda estão nas minhas mãos, / me explica com que cara eu vou sair.
Não, acho que está te fazendo de tonta, /te dei meus olhos pra tomares conta, /agora conta como hei de partir. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;
&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5293070067086943650" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 206px; CURSOR: hand; HEIGHT: 172px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_9vYrz0CJ2NA/SXTDLp_4ZaI/AAAAAAAAASE/zlA8sVqd40o/s400/Sapatos1.jpg" border="0" /&gt;
&lt;div align="justify"&gt;Touché. A perplexidade masculina diante da mulher que não o quer mais embora tenham feito sexo exaustivamente. Coloca-se aí também a responsabilidade jogada sobre ela -mais uma vez- por todo o sofrimento masculino. &lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;“Ela”&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; entornou a sorte pelo chão, é &lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;“dela”&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; a bagunça no coração, responsável pela perda dos mais elevados sentimentos do homem.

Assim como parece ser dela também a responsabilidade do que possa acontecer a ele; embora ao mesmo tempo ele duvide da sanidade mental ou do caráter dela, supondo que a mesma pode estar fazendo-se de tonta. Mais que visível, absolutamente explícita, é a imagem do inconsciente formada pelo sapato masculino que é pisado pelo o feminino na desordem do armário embutido e na ordem direta do papel de vilã dominadora e má que a mulher exerce no contexto da música.

Freud explicaria é claro, pois que Freud explicaria qualquer coisa; mas o que importa aqui não são os labirintos do inconsciente, sequer as artimanhas do sub-consciente; mas sim os espelhos da alma. Mas destes só quem entendia era Jorge Luis Borges e que nunca pretendeu explicar nada.

Em &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Valsinha&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; a obrigação da mulher ficar quieta no seu canto é colocada de maneira tão natural que chega a passar quase despercebida no meio do lirismo da composição. &lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;(...) olhou-a de um jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar (...) pra seu grande espanto convidou-a pra dançar e aí ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar com seu vestido decotado, cheirando a guardado de tanto esperar (...).&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; A mulher silenciosa em seus afazeres, a espera de um comando masculino até para simplesmente ousar se fazer bonita. Inacreditável, mas está gravado.

Chico Buarque ao meu ver atinge o máximo de definição desta visão decepcionante, passiva e submissa da mulher numa música praticamente inédita, da qual não conheço qualquer gravação. Seu título é &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Umas e Outras&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. Ouvi o próprio Chico cantá-la muito tempo atrás, uma única vez, no auditório de um programa de TV e por um fenômeno qualquer decorei e jamais esqueci toda a letra. Nesta obra prima de poesia, melodia e ousadia, Chico estabelece um perigoso porém magistralmente resolvido paralelo entre a vida de uma freira e a de uma prostituta. Vale a pena reproduzir a letra na íntegra. Diz o seguinte:

&lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Se uma nunca tem sorriso, /é pra melhor se reservar /e diz que espera o paraíso/ e a hora de desabafar.
A vida é feita de um rosário, /que custa tanto terminar, /por isso as vezes ela cansa
e senta um pouco pra chorar. /Que dia, nossa pra que tanta conta, /já perdi a conta, de tanto rezar.
Se a outra não tem paraíso, /não dá muita importância não, /pois já vendeu o seu sorriso /e fez do mesmo profissão. /A vida é sempre aquela dança, /aonde não se escolhe o par, /por isso às vezes ela cansa /e senta um pouco pra chorar. /Que dia, nossa que vida danada, /tem tanta calçada, pra se caminhar.
Mas toda santa madrugada, /quando uma já sonhou com Deus /e a outra, triste namorada, /coitada já deitou com os seus, /o acaso faz com que estas duas, /que a sorte sempre separou, /se cruzem pela mesma rua, /olhando-se com a mesma dor. Que dia, nossa pra que tanta conta/ já perdi a conta de tanto rezar.
Que dia, cruzes que vida danada /tem tanta calçada pra se caminhar.
Que dia, nossa, que vida comprida /pra que tanta vida /pra gente desanimar.
&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;
É simplesmente maravilhoso. A melodia é de uma melancolia inesquecível e de uma beleza incomparável. Esta peça quase desconhecida da arte musical brasileira amplia o universo da submissão feminina na visão de Chico Buarque, mostrando-a não só submissa, mas também conformada. Mais: não apenas dependente de um só homem, do seu homem (pelo menos isso) mas de todos os homens da sociedade ou do homem criador de todos os outros. É a universalização do papel feminino de servir, de uma forma ou outra, ao(s) seus(s) macho(s).

Até que ponto Chico Buarque de Hollanda, o eterno objeto de desejo das mulheres brasileiras, consegue levar o visível machismo embutido em sua obra? Até onde este machismo reflete uma filosofia própria ou é um grito melódico de socorro pelo casamento que se destroça um pouco mais a cada dia? É o que tento responder no próximo capítulo. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2040266667686250728-8080234187119504220?l=gavazzamarco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/feeds/8080234187119504220/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2040266667686250728&amp;postID=8080234187119504220&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/8080234187119504220'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/8080234187119504220'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/2009/01/chico-baguna-do-teu-corao-parte-4.html' title='Chico: a bagunça do teu coração (Parte 4)'/><author><name>Marco Gavazza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05983918374674130411</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_9vYrz0CJ2NA/SXTDLp_4ZaI/AAAAAAAAASE/zlA8sVqd40o/s72-c/Sapatos1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2040266667686250728.post-3143271160551067152</id><published>2009-01-12T13:11:00.011-03:00</published><updated>2009-01-19T15:56:01.791-03:00</updated><title type='text'>Chico: por trás de um homem triste. (Parte 3)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Na obra de Chico Buarque mesmo quando a mulher é colocada com destaque em cena, ainda assim é ela que se desespera porque seu homem não a quer mais. Em &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Bastidores&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; ela se dilacera ao vê-lo &lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;pelo salão a caçoar de mim&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; e embora seja o grande sucesso da noite, com &lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;em&gt;os homens lá pedindo bis, bêbados e febris a se rasgar por mim &lt;/em&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;e&lt;/span&gt;&lt;em&gt; todo o cabaré me aplaudiu de pé, quando cheguei ao fim&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;, ainda assim ela corre apavorada atrás dele, pois confessa: &lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;não me troquei, voltei correndo ao nosso lar, voltei pra me certificar que tu nunca mais, vais voltar, vais voltar, vais voltar.
&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;
Esta fórmula sofre uma visível variação que começa a ser utilizada e repetida por Chico Buarque a partir da admirável &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Vitrines&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. Daqui pra frente o homem em inúmeras de suas canções é posicionado como vítima, talvez refletindo uma situação pessoal. Isto acontece de maneira lindamente melancólica ao fazê-lo afirmar que &lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;(...) passas em exposição, passas sem ver teu vigia catando a poesia, que entornas no chão.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; Mas, apesar desta posição de abandonado o homem ainda assim permanece como o guardião da mulher e principalmente, mentor. Antes que ela se perdesse definitivamente por sair de perto dele, ele a advertira: &lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;te avisei que a cidade era um vão, na tua mão, não faz assim, não vai lá não.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; A mulher desobedeceu, portanto, deu no que deu. Tudo isso tem “uma fumaça” sinalizando o possível fogo: contam as línguas pouco seguras e próximas de Chico Buarque que esta música foi feita para sua mulher (hoje, ex-mulher) Marieta Severo, que saia todas as noites para seu trabalho no teatro deixando o Sr. Buarque de Hollanda enlouquecido de ciúmes. Não há provas de que isso seja verdade. Nem que seja mentira. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Mulheres de Atenas&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; a interpretação é mais complexa, porque Chico se posiciona de forma dúbia. Tomando os mais explícitos gestos de submissão supostamente praticados pelas mulheres dos guerreiros gregos que &lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;em&gt;(...) quando fustigadas não choram, se ajoelham pedem, imploram, mais duras penas(...)&lt;/em&gt; &lt;span style="color:#000000;"&gt;ou então&lt;/span&gt; &lt;em&gt;(...)quando eles embarcam soldados, elas tecem longos bordados, mil quarentenas&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; &lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;(...)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; e aconselhando suas ouvintes a mirarem-se &lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;no exemplo daquelas mulheres de Atenas&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;, a visão crítica -e cínica- do papel subalterno da mulher fica tão escancarada que só pode ser interpretada como uma enorme e suprema ironia.

E assim a música foi considerada por toda a elite intelectual progressista tendo -é claro- à frente as militantes feministas e assemelhados. E se não for ironia ? E se ele disse exatamente o que queria dizer ?

Aliás, Chico é mestre no uso da ironia, esta técnica arrasadora de se dizer tudo o que pensa sem assinar uma declaração formal de princípios e credos. Ele é extremamente irônico em &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Deixe a Menina&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, quando ao longo de toda a música ele fustiga o acompanhante de uma moça em um baile dizendo que o mesmo &lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;(...) está mal, está mal de mais, são três horas, o samba tá quente, deixe a menina com a gente, deixe a menina dançar em paz (...) e se vai ficar enrustido, com esta cara de marido, a moça é capaz de se arrepender&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; numa aparente crítica ao comportamento possessivo do indivíduo.

Mais pra frente, na mesma música, ele é implacável: &lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;(...) por trás de um homem triste há sempre uma mulher feliz.
&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;
Se você deduziu que nesta frase lapidar está embutido o conceito de que a mulher só consegue se divertir de maneira poligâmica, insinuante e vulgar, provocando sempre a infelicidade do homem, bingo. O que filosoficamente também está dito é que a mulher fica alheia ao sentimento negativo que provoca nos homens e isenta de qualquer responsabilidade. Em resumo: o homem é emocional e sofre, enquanto a mulher é insensível e se diverte.

Algo semelhante, porém enfocado de maneira inteligentemente inversa, ocorre em &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Acorda Amor&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; em que ele ironicamente aconselha a mulher &lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;(...) se eu demorar uns meses, convém às vezes você sofrer, mas depois de um ano eu não vindo, ponha roupa de domingo e pode me esquecer.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; Parece que um ano é o prazo mínimo que uma mulher abandonada deve esperar sofrendo pela volta de seu homem. Ou seja, se for ela a abandonada, deve permanecer infeliz, fiel e esperançosa, ao menos por um ano.

Mais ironia em &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Samba de um Grande Amor&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;: &lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;(...) tinha cá pra mim que agora enfim em conseguira um grande amor, mentira (...) reservei hotel, sarapatel, lua de mel em Salvador, mentira (...)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; registrando mais uma vez a desilusão do homem diante da mulher, a decepção com o seu comportamento, que o levou a julgar haver encontrado um amor sincero erroneamente. Outra vez a mulher ilude o homem, ferindo seus mais puros sentimentos. Registro esse que se torna contundente ao final da música, pois ele afirma &lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;(...) hoje eu tenho apenas uma pedra no meu peito, exijo respeito não sou mais um sonhador, chego a mudar de calçada, quando aparece uma flor e dou risada de um grande amor.
&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;
Ele sabe muito bem condicionar a ação masculina, em determinadas situações, sempre como a resultante de uma atitude feminina pouco nobre. Tudo isso para que na hora da decisão final, na hora da separação, o homem sempre leve aquela sensação de que foi obrigado a isso ou ainda, que a mulher deixada para trás estará definitivamente arrependida, acabada, perdida para o mundo.

Isto fica mais claro em &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;De Todas as Maneiras&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; onde ele confessa &lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;De todas as maneiras que há de amar, nos já nos amamos, com todas as palavras feitas pra sangrar, já nos cortamos,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; porém, em seguida, vem o peso do homem como vítima e ainda o desespero da mulher ao perceber o fim do romance, pois &lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;(...) agora já passa da hora, tá lindo lá fora, larga minha mão, solta as unhas do meu coração, que ele está apressado.
&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;
Tudo isso talvez ainda seja resultado do fim do casamento que já se avistava na janela ou então já estava em plena sala de visitas. Porém a presença do machismo ao longo da obra de Chico Buarque não parece ter sido influenciada apenas ao espelhar situações pessoais. É algo mais constante. Isto passou praticamente imperceptível ao seu público, porque está envolto em melodias de beleza insuperável e faz com que o sofrimento –do homem- venha repleto de lirismo. Na seqüência vocês verão porque. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2040266667686250728-3143271160551067152?l=gavazzamarco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/feeds/3143271160551067152/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2040266667686250728&amp;postID=3143271160551067152&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/3143271160551067152'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/3143271160551067152'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/2009/01/chico-por-trs-de-um-homem-triste-parte.html' title='Chico: por trás de um homem triste. (Parte 3)'/><author><name>Marco Gavazza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05983918374674130411</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2040266667686250728.post-7428049036114695591</id><published>2008-12-30T14:09:00.007-03:00</published><updated>2009-01-19T16:01:46.017-03:00</updated><title type='text'>Chico Buarque é severo. (Parte 2)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Antes da consagração de &lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;A Banda&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;, vencedora de um dos grandes festivais de música brasileira -no tempo em que ainda havia festivais e música brasileira- Chico Buarque já fazia sucesso com &lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;Pedro Pedreiro&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;, uma de suas primeiras músicas gravadas. Mas ali sua referência à mulher era muito rápida, posicionando-a apenas em sua função reprodutora. &lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;(...) e&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt; a mulher de Pedro está esperando um filho pra esperar também&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;...&lt;/span&gt; E pronto. Este parece ser o ponto de partida para uma visão crítica extremamente severa do papel feminino, através dos personagens de sua música, que se repetiria ao longo de sua obra com enorme freqüência. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;Mais adiante, confirmando este papel de coadjuvante, a companheira do operário da construção civil seria mais uma vez citada em sua obra. Em &lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;Construção &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;ela reaparece rapidamente. &lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Beijou &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;sua mulher como se fosse a única (...) a última (...) lógico, (...)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; em versos que reforçam esta posição feminina secundária de ou mera figurante da ação e mantém as mulheres, ou pelo menos até aqui as mulheres de pedreiros, nesta condição.

A visão total da mulher submissa seria assumida plenamente por Chico em &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Cotidiano&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; onde ela aparece de corpo inteiro. Talvez se trate da mulher ainda deste mesmo tipo de trabalhador, o pedreiro, pelos detalhes da sua vida, como a hora de acordar e o almoço, descrito na magnífica letra. Mas pode também ser a mulher de qualquer operário.

&lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Todo dia ela faz tudo sempre igual, / me sacode às 3 horas da manhã, / me sorri um sorriso pontual / e me beija com a boca de hortelã. / Todo dia ela diz que é pra eu me cuidar / e estas coisas que diz toda mulher, / diz que está me esperando pro jantar / e me beija com a boca de café. / Todo dia eu só penso em poder parar, / meio-dia eu só penso em dizer não, / depois penso na vida pra levar / e me calo com a boca de feijão. / Seis da tarde como era de se esperar, / ela pega e me espera no portão, / diz que está muito louca pra beijar / e me beija com a boca de paixão. / Toda noite ela diz pra eu não me afastar, / meia-noite ela jura eterno amor / e me aperta pra eu quase sufocar / e me beija com a boca de pavor.
&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;
A submissão aí é clara, sem metáforas. A mulher cumpre todas as suas supostas obrigações domésticas, de companheira e fêmea, motivada explicitamente pelo pavor de que o seu parceiro a deixe.

Este pânico pela perda do parceiro, já fora do universo dos tijolos e cimento, encontra sua expressão máxima em outra obra prima, criada anos depois e imortalizada por Elis Regina: &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Atrás da Porta.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; A mulher ao perceber no companheiro que &lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;(...) e o teu olhar era de adeus (...) me arrastei e te arranhei e me agarrei nos teus cabelos, nos teus pelos, teu pijama, nos teus pés, ao pé da cama (...) no tapete, atrás da porta, (...) te adorando pelo avesso, só pra provar que ainda sou sua.
&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;
Aí ela se anula plenamente, rasteja pelo chão onde o homem pisa, ocupa o lugar da vassoura atrás da porta e desaparece.

A esta altura, a condição da mulher de criatura submissa na música de Chico Buarque já estava consolidada e finalmente deixou os lares formados por pedreiros e outros operários para se espalhar por diversas outras áreas da sociedade, ainda que, por enquanto, presa ao cosmo do proletariado.
&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ela, a submissão, passa a estar presente como condição contínua da mulher em diversos momentos e situações, mesmo que cercada de romantismo, como em &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Com Açúcar Com Afeto&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;(...) fiz seu doce predileto, pra você parar em casa.
&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;
Agora o homem já é um possível mecânico, pois ela diz adiante &lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;em&gt;(...) no caminho da oficina há um bar em cada esquina, pra você comemorar, sei lá o que. &lt;/em&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;O final da música dispensa comentários:&lt;/span&gt;&lt;em&gt; Quando a noite enfim lhe cansa / você vem como criança, pra buscar o meu perdão / e ao te ver assim cansado, maltrapilho, maltratado, ainda quis me aborrecer / qual o que / logo fui esquentar seu prato / dou um beijo em seu retrato / e abro meus braços, pra você...

&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;Um brilhantismo único em poesia e melodia embora extremamente machista. E nem existem mulheres assim. Que se há de fazer.

Até no próprio universo da música, no mundo do sambista, encontram-se indícios desta atitude de Chico em relação ao feminino. Em &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Amor Barato&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, por exemplo quando se pede à mulher amada &lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;em&gt;(...) vem cá meu amor, agüenta o teu cantador, me esquenta porque o cobertor é curto&lt;/em&gt; &lt;span style="color:#000000;"&gt;ou ainda, na mesma música&lt;/span&gt; &lt;em&gt;(...) nosso amor também pode ter seu valor, também é um tipo de flor, que nem outro tipo de flor, um tipo que tem, que não deve nada a ninguém, que dá mais que Maria Sem Vergonha.
&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;
Mesmo quando é o homem que se dá mal no enredo das músicas de Chico, sempre existe uma insinuação a respeito da submissão e dependência femininas. Como na incomparável &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Trocando em Miúdos,&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; em parceria com Francis Hime, na qual o homem é rejeitado e sai com a impressão de que já vou tarde, mas pede de volta &lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;em&gt;(...) o Neruda que você me tomou e nunca leu &lt;/em&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;e mais enfaticamente sugere que ela &lt;/span&gt;&lt;em&gt;(...) aceite uma ajuda do seu futuro amor, pro aluguel.
&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;
Embora Chico aceite que ela já tenha evoluído um pouco, a ponto de chegar a pegar emprestado um Neruda, mesmo que nunca o tenha lido, a falta de intimidade da mulher com a cultura e sua incapacidade de manter-se por conta própria são insinuadas de forma bela, porém extremamente poderosa em seu desprezo, escondida magistralmente pela força da ironia.

Curiosamente, tudo isso sempre levou e continua levando as mulheres ao êxtase. Talvez Nelson Rodrigues realmente estivesse com a razão. Continuamos depois com estas interpretações e outras citações muito mais severas. Chico também continua batendo firme e suave. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2040266667686250728-7428049036114695591?l=gavazzamarco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/feeds/7428049036114695591/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2040266667686250728&amp;postID=7428049036114695591&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/7428049036114695591'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/7428049036114695591'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/2008/12/chico-buarque-severo-parte-2.html' title='Chico Buarque é severo. (Parte 2)'/><author><name>Marco Gavazza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05983918374674130411</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2040266667686250728.post-1845305407992743849</id><published>2008-12-14T12:38:00.007-03:00</published><updated>2009-01-19T15:58:18.734-03:00</updated><title type='text'>Chico Buarque: Nelson Rodrigues com um violão (Parte Um)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Não sou biógrafo nem crítico de música. Não sou antropólogo cultural, não sou feminista militante nem pretendo denunciar nada. Até porque eu e Chico Buarque já quase fazemos parte do passado. Gosto de música e considero Chico Buarque -ainda- o maior compositor brasileiro de todos os tempos. &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Sei que interpretações estão sempre sujeita a erros. O que alguém pensou e disse pode ser completamente diferente daquilo que o outro escutou e entendeu. O conceito formado pode estar na mente do receptor e não do emissor da idéia. Este é um risco que corro. Quem não concordar com o que vai ler adiante desde já se sinta à vontade para as primeiras pedras. Este trabalho, dividido em seis partes, não pretende ser científico, social, sequer musical. São só registros e impressões de um ouvinte atento do compositor e do que ele disse.
&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#663333;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Não me interessa quem acabou o casamento de Chico (na verdade acho que foi Carlinhos Brown), porque ele torce pro Fluminense ou insiste em achar Cuba um exemplo de sociedade. Isto é papo de quem estudou na Rua Dª. Antonia nos anos 60. Fernando Henrique também passou por lá, mas a vida os colocou em papéis diferentes. Ainda bem.

A machismo de Chico a que me refiro tem a ver com a minha, a sua mulher. A mulher que passa pelo corredor do shopping sem se ver refletida nas vitrines, que não se ilude quando o filho sai na página policial e que manda o marido à merda quando ele chega em casa com oito amigos pra almoçar. A mulher que na vida real chama a mim e a você de machão. Mas que desmaiava quando via Chico Buarque de Hollanda chegando com “aquellos ojos verdes”. Porque a vida, infelizmente, não tem o mesmo encanto que a arte.
&lt;/span&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#663300;"&gt;&lt;strong&gt;TODA MULHER JÁ SONHOU EM DAR PARA CHICO BUARQUE.
&lt;/strong&gt;A moça feia debruçou na janela, pensando que a banda tocava pra ela. A partir desta frase meio cruel escondida na letra de A Banda, Francisco Buarque de Hollanda iniciava um conturbado relacionamento público com o universo feminino, relacionamento este que se revelaria com o tempo, de extrema riqueza e constante aperfeiçoamento.

Importante também é considerar o efeito que Chico Buarque provocou no coletivo feminino brasileiro embora jamais tenha se posicionado como um compositor romântico, um Roberto Carlos, por exemplo. Ao contrário. A primavera criativa de Chico Buarque se situou entre os meados dos anos 60 até os anos 80, acompanhando a longa noite de terror e crimes que se abateu sobre o Brasil a partir de 1964. A sua luta contra a ditadura foi um dos momentos mais ricos da cultura brasileira, quando junto com outros intelectuais de diversas áreas do conhecimento, usou do talento e da criatividade para atingir os brasileiros fardados que insistiam em calar e matar os brasileiros sem fardas.

A intenção romântica de Chico neste período é esporádica, eventual. Quando a repressão achou que podia calar idéias com baionetas, Chico sob o pseudônimo de Julinho de Adelaide, atirou algumas das suas mais preciosas e poderosas pedras no telhado dos militares sem que estes, como era de se esperar, sequer percebessem. Mesmo sob o disfarce do nome e ainda mais dedicado ao combate político, Chico Buarque entretanto aqui e ali pontuava suas obras de um sotaque de romantismo inevitável para quem desenvolveu a sensibilidade ao ponto em que ele o fez.

Talvez este conjunto de características de sua obra, aliada ao conjunto de características da sua personalidade, tenha estabelecido a sintonia entre a sentimento feminino e o seu sentimento, embora sua obra esteja longe de ser uma homenagem explícita à mulher como foi a do feminista Gonzaguinha.

A receita reunindo temperos tão díspares como intelectual, guerrilheiro urbano, tímido, misteriosos olhos verdes, talentoso, bom de copo, fã de futebol, fiel em teoria à única esposa e polígamo na prática, paizão assumido e galinha de carteirinha, deu certo. Sendo ainda capaz de alinhar de forma desconcertante as palavras e as notas musicais com o aval, a cumplicidade e o sorriso paternal de Tom Jobim, não podia dar errado.

Mas, pergunto: porque as mulheres nunca foram tão severas em relação à ótica do trabalho de Chico a seu respeito quanto o foram com Paulinho da Viola, por exemplo? O príncipe do morro com sua refinada presença, música primorosa, beleza masculina brasileira, elegância que resiste ao tempo, o charme de ser do morro e falar manso, jamais provocou lágrimas femininas e muito menos desmaios. E seu trabalho tem lirismo suficiente para isso.

Já o paulistano Chico fez a platéia feminina do Teatro Castro Alves em Salvador (nos 80 do século passado), repetir cenas somente vistas em platéias dos Beattles. Mas aquele pessoal de Liverpool tinha mesmo a intenção de incendiar a meninada enquanto o gentil Chico, aparentemente não.

Em cena parecia estar com medo daquilo tudo e tocava o violão com seu cigarrinho aceso entre o dedo mínimo e o anular da mão direita –o que já era motivo para declarações de paixão eterna- como se todo aquele escândalo, lágrimas, desfalecimentos e cabelos arrancados não fora por ele. Na mesma noite, na pequena boate do Yatch Clube, dezenas de distintas senhoritas literalmente se arrastaram pelo chão até ficar -mais uma vez literalmente- a seus pés, enquanto old green eyes cantava num show intimista.

Mas aí já era muito mais tarde; muitas canções e muitos uísques depois. Chico já misturava a letra de Carolina com a de Januária, a platéia já misturava arte e realidade e a madrugada já misturava a noite com o dia. E o mistério da sedução machista estava apenas começando.
&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2040266667686250728-1845305407992743849?l=gavazzamarco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/feeds/1845305407992743849/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2040266667686250728&amp;postID=1845305407992743849&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/1845305407992743849'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/1845305407992743849'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/2008/12/chico-buarque-nelson-rodrigues-com-um.html' title='Chico Buarque: Nelson Rodrigues com um violão (Parte Um)'/><author><name>Marco Gavazza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05983918374674130411</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2040266667686250728.post-4627403838326182254</id><published>2008-12-07T15:22:00.003-03:00</published><updated>2008-12-14T13:13:45.377-03:00</updated><title type='text'>Cadeia neles.</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_9vYrz0CJ2NA/STwVuh6g6tI/AAAAAAAAALY/eAu6i1emz7E/s1600-h/07-011.jpg"&gt;&lt;/a&gt;
&lt;div align="justify"&gt;Leio na primeira página de um destes jornais que diariamente nos enchem de tédio, tristeza e incredulidade, a notícia de um empresário que foi condenado pela justiça por falsificação de notas fiscais e desvio de dinheiro. Até aí, tudo bem, isso é normal. Mais adiante a notícia é surpreendente: &lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;“...o empresário e jornalista M.L.O. foi condenado a quatro anos de cadeia. Ele cumprirá a pena em liberdade.”&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; Custo a acreditar, mas está lá assim mesmo. Cumprirá a pena em liberdade. Chegamos então a um ponto inédito da ordem social no Brasil, deduzo. Para a recuperação de um criminoso, o sistema está tão perfeito que não é necessário sequer botar o sujeito no xadrez. Em liberdade mesmo ele “cumpre a pena” e está resolvido. Talvez nem seja só isso, talvez estejamos assistindo ao vivo a coroação de uma nova moral. O próximo passo deverá ser enfiar na cadeia todo mundo que não foi condenado por nada. O que é compreensível num país onde o crime passou a ser diploma de inteligência e poder. Lampião, Escadinha, Leonardo Pareja, Fernandinho Beira Mar e tantos sabiam muito bem disso, invejados que foram pelo povo, estes incompetentes que jamais conseguiram cometer um crime importante. Cadeia pra eles, o povo, claro. Onde já se viu num país de criminosos, alguém querer andar certinho, pagar em dia, emitir notas fiscais verdadeiras e entregar dinheiro a quem de direito? É crime contra a ordem pública. Nunca esta expressão esteve tão coerente com a realidade. Se a ordem pública é o crime, cadeia para quem está fora da ordem, para quem é honesto. Nada mais lógico. Quando é normal roubar no peso, no preço, no prazo, nos juros, na qualidade, na validade de tudo que é vendido; roubar na competência, no orçamento, no valor, na execução e na eficiência de todo serviço prestado; roubar a impiedosas canetadas o patrimônio público municipal, estadual e federal; roubar à bala o patrimônio privado ou a própria vida de quem tem alguma coisa; roubar até o pensamento e as idéias de outros e vencer concorrências milionárias; quando tudo isso vira uma prática conjunta, cotidiana, continuada, coletiva e completa; quem fica fora deste sistema evidentemente quer prejudicar o país. Cadeia com eles. Os prejuízos causados pelos honestos são incalculáveis. O país ainda não se recuperou do estrago provocado por aqueles se recusaram a participar (ou não foram admitidos) da República das Alagoas e puxaram um cordão que acabou derrubando o alucinado Fernando Collor. Quanto custou para a gestão do crime reorganizar-se, rearticular-se, substituir nomes, bancos no exterior, sistemas de roubo, enfim, toda uma tecnologia já desenvolvida e que funcionava perfeitamente ? Reciclar a maravilhosa engrenagem das contas fantasmas, uma contribuição concreta da economia para o progresso nas últimas décadas, custou. Custou muito sacrifício e muito tempo perdido. Se a secretária e o irmão de Collor, ensandecido de ciúmes, tivessem sido encarcerados logo no início em julgamento sumário nada daquilo teria acontecido e hoje certamente estaríamos mais adiantados quem sabe à frente da China. Collor já teria privatizado até a Casa da Moeda que poderia vender notas de 50 por quanto bem entendesse. Todos nós sabemos que uma nota de 50 não vale nem 20. Várias casas da moeda poderiam estar competindo no mercado em economia aberta, cada qual imprimindo reais mais bonitos e mais baratos e vendendo-os por preços mais baixos que os atuais do Governo. Quando finalmente a máquina voltou a funcionar -apesar de diversas tentativas ao longo deste tempo de impedir a organização do crime- aparece a imprensa e abre a caixa preta de Marcos Valério, revelando mensalões, cuecas dolarizadas e outros avanços gerenciais. Novo atraso rumo ao funcionamento ideal. Sem isso a folha de pagamento de Marcos Valério já poderia incluir até um parente nosso, quem sabe. Agora, em pleno processo de recuperação de sua situação de estabilidade, novo ataque dos honestos. Querem prender Daniel Dantas porque ele não se contentou em ser assinante da Oi ou da Vivo e pagar uma fortuna todo mês por um celular que não funciona. Ele se ofereceu em holocausto para controlar o sistema sozinho. Entretanto, presunçosos e perigosamente em liberdade, os elementos honestos mais uma vez emperraram por diversos anos o avanço do sistema social brasileiro. Quem sabe quando a corrupção estará ao alcance de todos, sem os eternos denuncistas de plantão? Mas a gente chega lá. O exemplo de M.L.O. que acaba de garantir a liberdade por seus crimes, nos enche de esperança. Cadeia para quem não rouba e nem deixa roubar. E salvemos o lindo pendão verde da esperança, salvemos o dólar, símbolo augusto da paz. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2040266667686250728-4627403838326182254?l=gavazzamarco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/feeds/4627403838326182254/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2040266667686250728&amp;postID=4627403838326182254&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/4627403838326182254'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/4627403838326182254'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/2008/12/cadeia-neles.html' title='Cadeia neles.'/><author><name>Marco Gavazza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05983918374674130411</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2040266667686250728.post-854404665594455889</id><published>2008-11-29T16:48:00.006-03:00</published><updated>2008-11-29T22:15:12.898-03:00</updated><title type='text'>O Anjo Exterminado e o Anjo Exterminador</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;
&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#663300;"&gt;Às quatro da manhã, Rodrigo Sá Menezes convidava educadamente os boêmios mais renitentes a saírem da sua boate, o Anjo Azul, lindamente decorada com painéis enormes de Carlos Bastos. João Ubaldo Ribeiro protesta, toma os últimos goles de seu cuba libre e sai caminhando tranqüilamente pela Rua do Cabeça, cumprimentando os feirantes, atravessa o Largo 2 de Julho e mergulha no Sodré em direção ao Mercado Modelo, onde chega após uma pequena parada na casa de Maria da Vovó, pra ver umas amigas. No Mercado, já comendo o sarapatel de Bio, encontra o mestre Jorge Amado que conversa animadamente com Carybé e Mario Cravo, todos cercados por verduras e frutas. Silenciosa, Irmã Dulce passa recolhendo contribuições para seus pobres. Ruy Espinheira, Caetano e Gil, quietos num canto, escutam atentamente, recolhendo cada pedaço de sabedoria que escorregava das mesas. João Ubaldo junta-se a eles e começa a manhã de mais um sábado na cidade do Salvador.
&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;
A cena, exatamente assim como está descrita, pode nunca ter acontecido, porém com algumas poucas variações e outros personagens tão ilustres quanto estes, certamente repetiu-se inúmeras vezes nos anos 50 e até quase o final dos 60. Rodrigo Sá Menezes, hoje publicitário, era proprietário do Anjo Azul, boate que reunia a inteligentzia e a boêmia baianas, em noites que atravessavam a quietude da cidade para desembocar no Mercado Modelo ou na 7 Portas, entre violões, poesias, grandes debates culturais e felicidade geral.

O Anjo acabou e acabaram os intelectuais, a boêmia, o samba canção, as poesias, a quietude, a madrugada silenciosa, as casas das meninas e os saveiros chegando na rampa da manhã.

Hoje, a noite de Salvador amanhece resfolegante, exausta diante de gols mil tocando axé music pelo porta-malas, explodindo a nova música sertaneja –o muar do sertão- em decibéis histéricos, em cocaína, engarrafamentos em portas de barzinhos sem caráter e prostitutas amadoras. Entulhada de restos de pizzas hut, big-macs, camisinhas, latas de cerveja, red bulls, e freqüentemente, sangue, muito sangue.

Sem qualquer charme. Sem o mínimo vestígio de sentido, sabedoria e propósito. Com os pés em cima da poltrona no cinema, a provocação diante de tudo ou o olhar anestesiado diante da boquinha da garrafa, seja ela qual for e sirva para o que servir.

Quantos novos Jorges, Ubaldos, Ruys, Caetanos, Gils e Carybés sairão da noite baiana de hoje ? Nenhum.

Quem escreve, quem compõe, quem pinta, quem pensa ? Ninguém sabe.

Se existem, não estão mais disponíveis como se costumava encontrar pelas madrugadas. Estão certamente enclausurados em suas casas, vagando na Internet ou refugiados em algum lugar seguro. Longe da horda amorfa e por isso mesmo escandalosa, que povoa a noite sem fazer a menor idéia de pra que ela existe.

Houve um tempo, muito remoto, em que a noite trazia o medo do desconhecido e por isso os homens primitivos reuniam-se em bandos, faziam fogo e barulho até o amanhecer para espantar o perigo, as feras, os espíritos do mal, parecendo mais ou menos com o que acontece hoje.

Depois o homem evoluiu e tornou-se íntimo da noite, retirando dela as respostas para as mais inquietantes perguntas, deslizando mansamente até a barra de novo dia e de uma nova descoberta. A observação da mecânica celeste abriu horizontes e o homem, percebendo-se parte de um sistema perfeito, procurou de diversas formas, a perfeição. A noite inspirou poetas e trovadores, os astros revelaram os mais escondidos segredos da alma e a bruma de cada novo dia revelava um mundo sempre em renovação.

Quem sabe hoje estamos recomeçando um ciclo, quem sabe estamos tentando espantar novos fantasmas com a mesma fórmula dos velhos tambores, corpos pintados, danças tribais e rituais exóticos. Quem sabe serão os habitantes da nova noite, os homens modernos que primeiro perceberam a necessidade de voltar ao princípio paleolítico. Quem sabe o Anjo Azul tenha sido apenas um equívoco, apenas uma visão um pouco mais bem acabada das antigas cavernas e suas figuras rupestres, sem serventia alguma. Quem sabe a nova verdade não está nas vagas disputadas a tapas na frente das lojas Select.

Talvez o novo ciclo de civilização seja essa violência e essa mesmice que se vê compulsoriamente por aí. Não sou arauto do passado, nem nasci há 10 mil anos atrás. Mal cheguei aos 60. Sou apenas um maior abandonado, um senhor de rua; sem estatuto, sem proteção e sem mais ter onde passar as noites. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2040266667686250728-854404665594455889?l=gavazzamarco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/feeds/854404665594455889/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2040266667686250728&amp;postID=854404665594455889&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/854404665594455889'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/854404665594455889'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/2008/11/o-anjo-exterminadoe-o-anjo-exterminador.html' title='O Anjo Exterminado e o Anjo Exterminador'/><author><name>Marco Gavazza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05983918374674130411</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2040266667686250728.post-888538048263963705</id><published>2008-11-14T15:39:00.011-03:00</published><updated>2008-11-29T22:17:17.205-03:00</updated><title type='text'>O Zippo, o pocket Nº 1 e a ambivalência.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Houve um tempo em que uma mulher tinha certeza de estar diante de um homem, quando ele sacava do 1º bolso –aquele pequeno e dianteiro- de seu jeans Lee ou Levis, um reluzente isqueiro Zippo e acendia um Marlboro ou um Lucky Strike. De preferência riscando a perna da calça com o isqueiro.
A sociedade em sua mutação constante mais recentemente oferecia à mulher, como arquétipo de homem, aquele sujeito desajeitado e de óculos, roupas surradas, barba por fazer, um exemplar do Le Monde debaixo do braço e os dedos amarelados pela nicotina dos cigarros Gauloises. Sem filtro. Woody Allen exagerou um pouco, mas era quase isso.
Hoje, quando fumar tornou-se um ato quase criminoso e os fumantes vagueiam mundo afora em busca de um cinzeiro, como palestinos atrás da terra permitida, o estilo masculino resume-se em andar por aí com uma lata de Redbull bem visível e um som ensurdecedor na mala do carro.
Humphrey Bogart, James Dean, Marlon Brando, Richard Burton, Lee Marvin, John Wayne e outros, hoje não passariam de repulsivos seres de costumes primitivos e perigosos para esta sociedade politicamente correta, hipoteticamente saudável e terrivelmente chata.
Modelo de homem hoje, como disse Chico Buarque sobre a nata da malandragem, não existe mais.
A AIDS briga nas estatísticas com o câncer de pulmão e o enfarto. A dengue e a direção praticada pelos não-fumantes alcoolizados, mata mais que tudo isso junto. A condição prolongada de estresse nas cidades abre as portas para qualquer doença. Claro que nada disso é científico, tudo se baseia instavelmente em números nem sempre confiáveis e quase sempre manipulados. A medicina –que hoje é uma ciência estatística- continua afirmando não ter compromisso com resultados, mas sim com métodos.
Mas uma coisa é certa: a hipocrisia mata muito mais que tudo isso junto. Porque ela acaba com a dignidade e esta é uma coisa que quando se perde, além de ser para sempre, leva também outros valores indispensáveis à vida saudável em seu sentido mais amplo, que é o da saúde moral, o grande laboratório das manifestações saudáveis ou doentias do organismo.
Em nome de uma suposta saúde física acabamos por abandonar a saúde dos relacionamentos e da própria sociedade.
Desde que começamos a habitar este planeta, comemos, bebemos e fumamos de tudo. O churrasco é a primeira invenção culinária do homem primitivo, ao descobrir que o fogo tornava a carne dos animais um pouco mais agradável e menos indigesta. Ainda hoje povos se alimentam de insetos, o sushi desafia o cólera e pratos de sarapatel são disputados nas madrugadas baianas. Fuma-se cigarro de palha, de fumo de corda, de cravo, de alface, de maconha; fuma-se ópio, cachimbo, crack e tudo que possa ser queimado e fazer fumaça. Bebe-se chá de tudo e o álcool, produzido até de arroz, é vendido e bebido livre e alegremente. Bebemos sucos de qualquer coisa que possa ser liquidificada, desidratada e reidratada. Bebemos até Coca-Cola, que ninguém sabe ao certo o que é. E sobrevivemos. Sobrevivemos à Santa Inquisição, a duas Guerras Mundiais, uma Guerra Fria, ao Vietnã, às Malvinas, ao Canal de Beagle, ao Cambodja, ao Antrax, ao Iraque, a Bin Laden e milhares de outras ameaças. Também sobrevivemos à gripe espanhola, à tuberculose, ao tifo, à difteria, à diarréia e a cerca de 50 mil McDonald’s espalhados pelo mundo.
Mas certamente não sobreviveremos como pessoas, às ONG’s montadas para arrancar dinheiro de governos coniventes; às religiões que arrancam os últimos tostões dos já pobres fiéis; aos empresários preocupados exclusivamente com o próprio bem estar; aos políticos que odeiam o povo; à imprensa comprometida com interesses multinacionais; a certos amigos que degradam todos à sua volta; ao mau-caratismo, à falência de valores morais, à falta de pensamento e noção de honradez; à mentira absoluta, ao egoísmo e ao desprezo pelo gemido de dor ou solidão que vem do apartamento ao lado.
Ninguém tem carimbado na testa: &lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;“O&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; &lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Ministério da Saúde adverte: esta pessoa possui mais de 4.700 componentes nocivos ao relacionamento, e hipocrisia que causa dependência física ou psíquica.”
&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;Pois tudo isso mata e é contagioso. Isso mata a mim, a você; matará nossos filhos e os filhos deles. Porque as manchas da alma são infinitamente mais corrosivas que as do pulmão.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2040266667686250728-888538048263963705?l=gavazzamarco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/888538048263963705'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/888538048263963705'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/2008/11/o-zippo-o-pocket-n-1-e-ambivalncia.html' title='O Zippo, o pocket Nº 1 e a ambivalência.'/><author><name>Marco Gavazza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05983918374674130411</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2040266667686250728.post-8683254454024288106</id><published>2008-11-05T12:36:00.002-03:00</published><updated>2008-11-29T22:16:47.085-03:00</updated><title type='text'>Obama Inc.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Creio que dificilmente eu seria eleito vereador pelo bairro da Liberdade, aqui mesmo em Salvador. Sou branco e por lá nem bloco de carnaval aceita gente como eu, sem uma cor que tenha simbolismo político. Acho isso engraçado; o bastar possuir uma determinada pigmentação de pele para se tornar um símbolo de uma ideologia política ou social. Mas Obama está na Casa Branca. Desculpem, não é uma piada ou uma provocação com traços racistas. É o fato. O novo presidente norte-americano é negro e o palácio de onde ele irá governar chama-se White House, ou seja, Casa Branca. Ao menos, por enquanto. Não quero falar sobre racismo escancarado ou velado, nem lá nem cá. Minha dúvida é outra. Porque o povo americano fez sua escolha dando peso 8 (numa hipotética escala de 0 a 10) à cor do candidato; assim como o povo brasileiro também deu peso alto ao despreparo escolar e cultural de Lula há oito anos atrás? Qual é o aval existente para que critérios assim possam fazer as pessoas anteverem uma linda paisagem depois da curva? Kennedy era branco e muito culto. Fez um governo magistral. Bush é branco e bronco. Enterrou os Estados Unidos num lodaçal econômico e social. A lista de ditadores negros que fizeram da África um continente estacionado na Idade Média é longa. Nelson Mandela também é negro e lançou luz sobre o problema escancarando-o para o mundo. Winston Churchill fumava o tempo todo, bebia em jejum e se empanturrava de presunto. Estava a jardas de distância do padrão fleumático do comportamento britânico e das características esperadas de um chefe de estado. Salvou a Europa da destruição completa na 2ª Guerra Mundial. Adolf Hitler era vegetariano, abstêmio, apreciador de arte e possuía uma disciplina espartana. Além de, segundo alguns dos seus biógrafos, ser afável e liberal na intimidade. Quase eliminou a Alemanha da geografia mundial. Poderia seguir citando dezenas de exemplos, mas não é necessário. Intriga-me o fato de que negros americanos com Luther King e Jesse Jackson sempre defenderam os direitos naturais de seu povo contra a intolerância racista, mas sem buscar a Casa Branca, enquanto Obama desde o início de sua vida adulta voltou-se para a política. Obama, como qualquer cidadão com um nível mediano de informação, em qualquer parte do mundo, sabe que as decisões de um presidente passam pelo congresso e que por trás deste estão gigantescos interesses econômicos multinacionais. Esta não é uma conseqüência contemporânea e direta da globalização, como pensam muitos. Sempre foi assim. Simplesmente eram menos abrangentes. O que Obama poderá fazer para reduzir as diferencias sociais –reparem bem que não estou falando de diferenças raciais- existentes em seu país é praticamente o mesmo que vem sendo feito há séculos lá mesmo e em todo o mundo. Ou seja: quase nada. Excluindo-se uma Finlândia aqui, uma Suécia ali, um emirado acolá, o mundo inteiro é um imenso campo de batalha entre os que têm muito e os que têm muito pouco. Há muito tempo. Inclusive na natureza, onde a sabedoria popular foi buscar a expressão “a parte do leão”. Sobrevivem os mais preparados. Darwin já sabia disso e nunca ousou atribuir a relação existente entre a teoria da evolução e o cenário político e histórico do planeta. Já estava bastante massacrado por insinuar que os macacos poderiam ser nossos parentes. Então, porque acreditamos que um Lech Valessa pode de repente transformar a Croácia num paraíso dos proletários? Porque alguns seguem acreditando que Fidel é bom para Cuba até hoje? Porque os americanos choram de emoção achando que Obama chegou para operar milagres? Acho que isso tem um nome. Esperança. Fé. Algo indefinido que não está presente na teoria evolutiva de Darwin nem no pensamento de enorme parte da humanidade. Mas que existe assim mesmo; sem comprovação científica, sem diplomas, sem sotaques, sem cor.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2040266667686250728-8683254454024288106?l=gavazzamarco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/8683254454024288106'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/8683254454024288106'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/2008/11/obama-inc.html' title='Obama Inc.'/><author><name>Marco Gavazza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05983918374674130411</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2040266667686250728.post-4021883562432474659</id><published>2008-10-20T16:47:00.002-03:00</published><updated>2008-11-15T16:57:29.646-03:00</updated><title type='text'>Bons de bola e bunda.</title><content type='html'>Num país onde as oportunidades de crescimento pessoal são extremamente limitadas, especialmente para os jovens das classes sociais mais vulneráveis, o menino que sabe jogar bola e as meninas bonitinhas/gostosinhas vêem nestas condições, uma estrada que pode levá-los à fama, ao conforto; aos benefícios que os ricos das novelas exibem diariamente no horário nobre da tv. 

Acontece que por ironia,  meninos que jogam bola legal e meninas gostosinhas, é o que não falta neste mesmo país.  Daí, está armado um cenário no qual Shakespeare poderia deitar e rolar para elaborar suas tragédias  amorosas.  Porque meninos que batem um bolão ou meninas que detonam na configuração, queiram ou não queiram, são apenas e ainda, meninos e meninas. 

A mídia incentiva, estimula os sonhos, mostra os bola murcha e os bola cheia,  revela as curvas monumentais de criaturas desconhecidas. E eles e elas, continuam sendo meninos e meninas. Assim, quando uma menina de arrasar quarteirões faz essa demolição em quarteirões suburbanos, está na verdade e quase sempre, à espera de uma oportunidade qualquer, uma acaso que a leve ao banco do carona de um cara que é amigo de alguém que tem um parente na Globo e quem sabe pode levar um papo com ela. 

Enquanto este carro e esta possibilidade -ambos  remotos- não chegam, elas seguem nas salas de aulas, nos pagodes do fim de semana,  nas calçadas do bairro, mexendo com o sentimento de meninos que não jogam bola tão bem a ponto de só pensarem nisso. 

Meninos que acreditam ser possível arrumar um empreguinho, uma mulher bonita que cuide da casa e dos filhos e serem felizes para sempre. Eles ainda existem, sim.  A estes, a gostosinha que espera seu momento BBB representa um perigo fatal.  A razão lhe diz que não é por ali, mas os hormônios e a herança do macho reprodutor forçam a barra e lá vai ele atrás da futura capa da VIP.  Dançou. Porque ela não quer nem saber de empreguinho, nem de casamento, muito menos de crianças chorando e fazendo xixi nos lugares mais inaceitáveis. 

Meninos e meninas continuando a ser, ela faz o joguinho de manter a auto-estima 100% preenchida e ele acredita naquele afago a cada três meses como uma visão do paraíso. Até que um dia a coisa explode. E quando explode, sobra para todos os envolvidos, como aconteceu em Santo André.  Inclusive para os meninos que vestem uma farda e acreditam seriamente serem da SWAT. 

Quem não é mais menino nem menina, como eu e você, fica chocado e começa a procurar um culpado. É difícil de achar.  Teríamos que ir buscar as raízes de tudo isso muito lá atrás, desde a escravidão, passando pela miscigenação,  pela  seqüência Monarquia - República - Ditadura -Nova República - Ditadura II- Nova República II e tudo que isso implicou, especialmente em relação à educação de meninos e meninas, aos novos formatos de família e ao relacionamento entre pais e filhos; resultante do lar-dormitório, onde pai, mãe e agregados apenas dormem –às vezes nem isso- para continuar o dia seguinte no mercado de trabalho, na batalha para sobreviver mais um mês.  

Em seguida, precisaríamos destilar o biótipo do brasileiro que emerge de tudo isso e deixa-lo exposto às revoluções mundiais de costumes que aconteceram depois, avaliando os efeitos da assimilação dos mimos do primeiro mundo descobertos via globalização.  É dificílimo.  Shakespeare talvez perdesse o fio da meada. Afinal, a tragédia resultante de um romance proibido pela rivalidade entre famílias é muito mais normal.  Difícil é compreender as tragédias geradas pela rivalidade entre um país chamado Brasil e um povo chamado brasileiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2040266667686250728-4021883562432474659?l=gavazzamarco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/feeds/4021883562432474659/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2040266667686250728&amp;postID=4021883562432474659&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/4021883562432474659'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/4021883562432474659'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/2008/10/bons-de-bola-e-bunda.html' title='Bons de bola e bunda.'/><author><name>Marco Gavazza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05983918374674130411</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2040266667686250728.post-8311628300675041149</id><published>2008-10-15T14:37:00.005-03:00</published><updated>2008-10-20T16:46:59.182-03:00</updated><title type='text'>Tirando Coelhos da Cartola</title><content type='html'>Lí com entusiasmo &lt;em&gt;O Mago&lt;/em&gt;, biografia do escritor Paulo Coelho escrita por Fernando Moraes. Um trabalho primoroso, não apenas como levantamento biográfico, mas como um verdadeiro romance. Fernando Moraes sem dúvida conseguiu trazer para as listas de &lt;em&gt;best sellers&lt;/em&gt; um gênero literário que sempre esteve restrito aos estudiosos. Fiquei tão fascinado e intrigado com o que lí a ponto de imediatamente correr para a Saraiva, comprar um livro do Paulo Coelho e lançar-me pela primeira vez à sua leitura. Fernando havia me convencido de que 100 milhões de livros vendidos pelo "mago" tinham que ter um bom motivo. Escolhi &lt;em&gt;O Vencedor Está Só&lt;/em&gt;, mais recente publicação de Paulo Coelho. Lamento, mas não encontrei nele nada que justificasse nem meio milhãozinho de livros vendidos. Cheguei então a duas conclusões para isso tudo. A primeira é que a biografia de Paulo Coelho é mais uma das suas bem sucedidas estratégias de marketing, aliás muito bem descritas no livro de Fernando. Capaz como foi, de me fazer correr para comprar pela primeira vez um livro do escritor global, imagino que o mesmo tenha acontecido com dezenas de milhares de leitores de &lt;em&gt;O Mago&lt;/em&gt;. A segunda conclusão é que o sucesso de Paulo Coelho (e isto é inquestionável) deve-se muito mais à uma carência de filósofos contemporâneos que ao pensamento do escritor. Creio ter sido Jorge Luiz Borges, falecido no fim do século passado, o último escritor a quem podemos classificar também de filósofo. Por trás de sua requintada prosa ou poesia, escondem-se respostas às milenares questões que nos angustiam ou -melhor ainda- novas visões destas mesmas questões. Depois de Borges, não tenho conhecimento de qualquer outro escritor contemporâneo que com um fundamento filosófico em seus livros, tenha alcançado popularidade. Aliás, nem o próprio Borges não era assim tão popular. Paulo Coelho repete tudo que já lemos por aí, desde &lt;em&gt;O Pequeno Príncipe&lt;/em&gt; até &lt;em&gt;A Profecia Celestina&lt;/em&gt;. Acontece que muita gente não leu nem um nem outro e descobre tudo isso de forma condensada, superficial e com uma forte influência das publicações de auto-ajuda (como convêm a este tempo em que a leitura é algo fugaz) nos livros extremamente bem trabalhados mercadologicamente de Paulo Coelho. Claro que isso não deve condená-lo à fogueira em praça pública, como gostariam 100% dos críticos literários nacionais. Pelo contrário. Ele está de certa forma atendendo a carência de milhões de pessoas espalhadas pelo mundo e que ainda procuram respostas. Este é o lado bom do fenômeno. Saber que nem todos estão contentes com os romances do cotidiano, as novelas da televisão, os blogs da vida ou os websites reflexivos. Querem mais. E se tudo que eles encontram no momento é Paulo Coelho, que seja. O "mago" pode não cortar tão fundo quanto Kant, Santo Agostinho ou o próprio Borges, mas arranha quem está querendo saber o que existe por baixo da pele. Isso é bom. Provavelmente não comprarei um segundo livro de Paulo Coelho. Mas Fernando Moraes, pela primeira vez, me fez entender que ele é necessário.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2040266667686250728-8311628300675041149?l=gavazzamarco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/feeds/8311628300675041149/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2040266667686250728&amp;postID=8311628300675041149&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/8311628300675041149'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/8311628300675041149'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/2008/10/tirando-coelhos-da-cartola.html' title='Tirando Coelhos da Cartola'/><author><name>Marco Gavazza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05983918374674130411</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2040266667686250728.post-7482083368660573395</id><published>2008-10-15T12:29:00.006-03:00</published><updated>2008-10-15T13:54:32.269-03:00</updated><title type='text'>Em política o coração também vota.</title><content type='html'>Acabo de participar da campanha eleitoral de um candidato a prefeito numa capital do nordeste brasileiro. No começo da campanha o candidato tinha em torno dos 6% das intenções de voto e era desconhecido ou pouco conhecido por cerca de 60% do eleitorado, o que lhe dava uma larga estrada pela frente para crescer. Ao final da campanha, o candidato -deputado federal- alcançou a marca dos 22% dos votos válidos, colocando-se em 2º lugar na votação. O que não adiantou nada, porque o atual prefeito, candidato à reeleição, independente de ter todo o poder das máquinas municipal, estadual e federal nas mãos, levou no 1º turno. Raspando, com 51,2% dos votos válidos, mas levou. Não quero aborrecer ninguém com análises eleitorais ou políticas. Este texto é apenas para registrar um fato decisivo da campanha. O candidato vencedor, desde o início da campanha vinha sendo bombardeado pelos outros quatro candidatos, inclusive aquele para quem eu estava trabalhando. Mas, os mísseis lançados contra ele não eram de precisão cirúrgica como aqueles assim definidos quando destruíram alvos estratégicos em Bagdá. Com trajetória meio incerta, eles atingiam ora a administração realizada, ora o próprio candidato. Uma coisa é você criticar uma realidade, outra é você criticar uma pessoa. A administração municipal realizada pelo candidato à reeleição não era um absurdo como tantas que temos por aí mas tinha lá suas falhas, principalmente num setor vital para a opinião pública: a saúde. Entretanto o cidadão que ocupava -e continuará ocupando mais 4 anos- a cadeira do prefeito, é um cara bacana. Simples, sem qualquer vestígio de arrogância, simpático, festeiro. Daqueles que sobem no palco de um evento público e tocam sanfona para o povo cantar. Pois bem. Torpedeado por todos os lados, sua intenção de votos que beirava os 57% no início da campanha, despencou para 47% perto do final, com registro de tendência a continuar caindo. Isso significava que havendo um segundo turno, sua situação se complicaria. Acontece que os torpedos adversários ora explodiam mostrando que a situação municipal era calamitosa, ora detonavam dizendo que o prefeito era um sujeito desprezível, sem vontade própria, preguiçoso e enganador. Até que chegou o momento do debate final, transmitido pela Rede Globo, no último dia de propaganda eleitoral. Espertamente, o prefeito candidato apresentou-se como vítima de ódios pessoais e não de críticas fundamentadas. A cada chicotada que levava no ar, retrucava: &lt;em&gt;porque vocês não apresentam soluções para os problemas da cidade em lugar de ficarem me espancando?&lt;/em&gt; O resultado é que ele saiu do estúdio da Globo de volta para seus 52% de votos que o elegeram no próprio dia 6 de outubro. O povo ficou do lado dele. Ninguém se sente feliz -exceto os sádicos, mas aí é com Freud- vendo alguém ser massacrado públicamente. O que estava em jogo não era a pessoa humana, mas sim a  capacidade de  administrar uma cidade. Isso poderia ser demonstrado apenas com a apresentação da realidade vivida pelos cidadãos, especialmente os mais carentes. Era suficiente. Quando o indivíduo em sí passou a ser julgado, o eleitor tomou as dores. Mesmo sabendo que mais coisas poderiam ter sido feitas em seu benefício, não aceitou que atacassem a &lt;em&gt;pessoa&lt;/em&gt; do prefeito. Sentimentalismo barato? Aos olhos de quem perdeu, sim. Aos olhos da população, não. O povo podia até não achar sua gestão lá essas coisas, mas gosta dele. Olhando de fora, vemos aí mais uma manifestação do consciente coletivo. Parecido com o fato de que ninguém nunca acha que Daiane dos Santos errou na ginástica ou todo mundo acha que Rubinho sempre errou, até mesmo fora do carro. Levar uma pessoa ao pódio ou tirar alguém de lá, não se resume à técnicas de comunicação e marketing. É indispensável sensibilidade. Porque, por mais sofrida que seja a nossa gente, ela ainda é sensível e capaz de simpatizar ou antipatizar à primeira vista e tomar posições puramente emocionais. Exatamente como eu ou como você. O eleitorado não é uma massa disforme, que segue os caminhos da lógica de mercado e suas ferramentas poderosas. É gente como a gente, capaz de desmontar a mais qualificada previsão de comportamento e seguir o coração. Ainda bem que não perdemos de todo a nossa capacidade de nos emocionarmos. Fica a lição, tanto para quem ganhou quanto -principalmente- para quem perdeu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2040266667686250728-7482083368660573395?l=gavazzamarco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/feeds/7482083368660573395/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2040266667686250728&amp;postID=7482083368660573395&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/7482083368660573395'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/7482083368660573395'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/2008/10/em-poltica-o-corao-tambm-vota.html' title='Em política o coração também vota.'/><author><name>Marco Gavazza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05983918374674130411</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2040266667686250728.post-4865836796861235376</id><published>2007-11-08T16:33:00.000-03:00</published><updated>2007-11-09T14:02:39.223-03:00</updated><title type='text'>Criatividade (2)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#000000;"&gt;&lt;em&gt;A pergunta permanece a mesma: o que é e o que não é criativo? Quem é criativo? As respostas também seguem sendo as mais variadas respostas possíveis. Comecei a postar neste blog que niguém lê, exemplos aleatórios de criatividade, pinçados de diversos períodos e áreas da atividade humana, tentando explicar "formas" diferentes de ser criativo. O primeiro exemplo foi o Band-Aid. O segundo sai da categoria "produtos"e entra na área do comportamento humano. Vamos lá. &lt;/em&gt;Um ótimo exemplo de criatividade remonta à nossa pré-história. Criativo foi o primeiro macaco que decidiu fazer sexo frontal, ao contrário do que era hábito nas cavernas e nas estepes da África, onde se acessava o sexo por trás e aleatoriamente. Ao criar o sexo frontal, aquele macaco estava disparando todo um processo de transformação social. Na nova posição ele identificava com segurança a sua parceira e se tudo corresse bem, ela passava a ser a preferida. Com isso surgia o conceito de casal, de fidelidade, em seguida o de família, com todas as suas implicações.Cuidar do filhote deixava de ser uma tarefa apenas da mãe, do grupo ou de ninguém. O pai tornava-se co-responsável pelo núcleo que formara. Assim, inverter comportamentos tradicionais é criativo. A modernidade existe graças a essa forma de criatividade. Henry Ford e sua linha de montagem, Einstein, The Beatles, Jane Joplins, Jimmy Hendrix e o movimento hippie, Paris 68, Bill Gates e tantos outros criaram exemplos de inversão de métodos, conceitos e sistemas que transformaram a sociedade. São os nossos macacos contemporâneos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2040266667686250728-4865836796861235376?l=gavazzamarco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/feeds/4865836796861235376/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2040266667686250728&amp;postID=4865836796861235376&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/4865836796861235376'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/4865836796861235376'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/2007/11/criatividade-2.html' title='Criatividade (2)'/><author><name>Marco Gavazza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05983918374674130411</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2040266667686250728.post-7810188411777596387</id><published>2007-11-08T16:23:00.000-03:00</published><updated>2007-11-09T13:50:16.241-03:00</updated><title type='text'>Eram os deuses publicitários ?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#660000;"&gt;Revejo o filme Dom Juan de Marco com a mesma satisfação natural de quem o assiste pela primeira vez. Um filme inteligente que consegue manter o tempo todo aquele difícil e inquietante contraponto entre humor e melancolia. Aquela estranha sensação de sorrir com o coração apertado. A eliminação da fronteira entre o sonho e a realidade, fundindo paciente e psiquiatra numa única verdade que por sua vez não é resultado de nenhuma das duas que cada um imagina, me levou a imaginar que o personagem de Johnny Depp poderia tranqüilamente ser um publicitário à moda antiga, o tipo que ainda manda flores. Era assim que se faziam publicitários. Artistas plásticos, jornalistas, escritores inéditos, locutores, desenhistas, todos vítimas da grande tragédia que é o &lt;strong&gt;sucesso inacessível&lt;/strong&gt;, acabavam aprendendo a transformar camisas, lojas de eletrodomésticos e automóveis em mantos, castelos e carruagens. Depois podiam sair por aí proclamando, ao estilo do personagem do filme, &lt;em&gt;“Eu sou Dom Juan de Marco, o maior publicitário do mundo, já ganhei mais de mil prêmios e não tenho mais razões para viver”.&lt;/em&gt; Assim muitos publicitários surgidos nesta fase empírica acabaram por sentirem-se deuses de um Olimpo Mercadológico. Ou Dons Juans de ilusórias Doñas Anãs. Mas a tecnologia da comunicação e as leis naturais do mercado puseram um The End neste tempo alienado, romântico e também, quixotesco. Hoje um publicitário é um técnico com formação científica e acadêmica específica, trabalhando com base em pesquisas, estatísticas, análises socioeconômicas e projeções de mercado –entre outras ferramentas- para transformar camisas, lojas de eletrodomésticos e automóveis apenas em camisas, lojas de eletrodomésticos e automóveis &lt;strong&gt;indispensáveis&lt;/strong&gt;. A tênue fronteira entre o sonho e a realidade continua sendo o campo de batalha, mas os soldados são mais críticos, sensatos, realistas, exatos. A consumidora sabe que não vai ficar tão bonita quanto Giselle Bündchen, mas pode ser convencida de que aquele sabonete trará benefícios à sua pele. O consumidor sabe que não irá disputar a Fórmula Indy, mas a bateria do Emerson pode livrá-lo de uma boa aporrinhação. A própria propaganda se incumbiu de um auto-policiamento saudável, preservando um mínimo de credibilidade para a atividade. Os &lt;strong&gt;publicitários sêniors&lt;/strong&gt; se reciclaram compulsoriamente para enfrentar, não apenas a nova realidade de mercado, mas também toda uma geração de &lt;strong&gt;publicitários juniors&lt;/strong&gt;, formados já com esta nova conceituação. Claro que na terra do axé e da felicidade, os Dons Juans de Marco da propaganda continuam sobrevivendo numa boa. Até porque com 854 bandas de pagode, reagee ou axé-music (music?), seis meses de férias por ano, carnaval de noventa dias e vastos feriadões para descansar de tudo isso, ninguém leva a sério sinais de trânsito ou hora marcada. Quanto mais publicitário com formação tecnológica. Resta, para quem faz parte deste mundo complexo que é a propaganda, a certeza de que mais dia menos dia, a verdade estará esperando por nós, numa esquina ou numa praia de uma ilha deserta. Como no filme. Neste momento teremos a certeza de que conseguimos avançar um pouco -em slow motion- em direção a nós mesmos. Com a voz de Marlon Brando perguntando em off: &lt;em&gt;“Porque não?”.&lt;/em&gt; Como no filme. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2040266667686250728-7810188411777596387?l=gavazzamarco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/feeds/7810188411777596387/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2040266667686250728&amp;postID=7810188411777596387&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/7810188411777596387'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/7810188411777596387'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/2007/11/eram-os-deuses-publicitrios.html' title='Eram os deuses publicitários ?'/><author><name>Marco Gavazza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05983918374674130411</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2040266667686250728.post-2827329306219834700</id><published>2007-10-08T11:15:00.000-03:00</published><updated>2007-10-09T10:53:22.174-03:00</updated><title type='text'>Criatividade (1)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;O que é e o que não é criativo? Quem é criativo? Estas são perguntas com as mais variadas respostas possíveis. Criatividade é algo inerente à personalidade humana, estando mais ou menos presente e ativa em algumas pessoas que em outras. Entretanto, me parece ser a criatividade a característica humana mais democrática que existe, pois não depende de educação formal, de capacitação acadêmica ou cultural. Claro que algumas atividades acabam por exigir essas coisas, mas a criatividade em "estado bruto", creio estar presente em todas as pessoas, desde o seu nascimento. A partir de hoje, postarei neste blog que niguém lê, exemplos aleatórios de criatividade, pinçados de diversos períodos e áreas da atividade humana, tentando explicar "formas" diferentes de ser criativo. Começarei pelo Band-Aid.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Band-Aid é criativo por reunir numa única peça elementos antes dispersos e indispensáveis a um curativo. Em lugar de um frasco com o antisséptico, um rolo de esparadrapo, uma tira de gaze e uma tesoura -além da habilidade para manusear tudo isso- um único e simples objeto portátil. Assim, agrupar componentes diversos é uma forma de ser criativo. Vale a pena registrar que o Band-Aid não foi desenvolvido em laboratório, mas criado por uma comum dona de casa norte-americana. A referida senhora sofria de uma doença incomum, que deixava sua pele extremamente sensível. Um simples contato mais brusco com uma aresta qualquer podia provocar ferimento e sangramento. Como precaução para conviver com isso, ela deixava preparadas numa gaveta, tiras de esparadrapo com pequenas "almofadas" de tecido grudadas. Quando se feria, simplesmente umedecia com o antisséptico e aplicava no local. Uma vizinha que trabalhava na Johnson's achou aquilo uma boa idéia e levou até a empresa, lá pelos anos 40/50. O resto foi desenvolvimento industrial e uso mundial até hoje. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2040266667686250728-2827329306219834700?l=gavazzamarco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/feeds/2827329306219834700/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2040266667686250728&amp;postID=2827329306219834700&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/2827329306219834700'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/2827329306219834700'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/2007/10/criatividade-1.html' title='Criatividade (1)'/><author><name>Marco Gavazza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05983918374674130411</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2040266667686250728.post-2374894332349327372</id><published>2007-10-08T10:53:00.000-03:00</published><updated>2007-10-08T11:04:53.371-03:00</updated><title type='text'>Letra para música de Cláudia Cunha</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Num dia qualquer de setembro&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
&lt;span style="color:#000000;"&gt;Ela olhou firme em meus olhos &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
&lt;span style="color:#000000;"&gt;Sua voz distante disse pra mim&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
&lt;span style="color:#000000;"&gt;Vou embora, 0 amor chegou ao fim.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
&lt;span style="color:#000000;"&gt;Disse ainda que levaria tudo com ela&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
&lt;span style="color:#000000;"&gt;Pois me encontrou sem bem qualquer&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
&lt;span style="color:#000000;"&gt;Tudo era dela por justiça e direito&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
&lt;span style="color:#000000;"&gt;Que eu fosse forte e desse meu jeito.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;

&lt;span style="color:#000000;"&gt;Levou então &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
&lt;span style="color:#000000;"&gt;A brisa do mar,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
&lt;span style="color:#000000;"&gt;A primeira luz da manhã, &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
&lt;span style="color:#000000;"&gt;As estrelas, o vento, o luar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
&lt;span style="color:#000000;"&gt;Levou o cheiro da chuva,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
&lt;span style="color:#000000;"&gt;Levou o riso, o brilho do olhar,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
&lt;span style="color:#000000;"&gt;Levou o poente e a maresia,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
&lt;span style="color:#000000;"&gt;Levou a canção solta no ar,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
&lt;span style="color:#000000;"&gt;Levou a razão de existir cada dia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
&lt;span style="color:#000000;"&gt;Depois mandou um recado&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
&lt;span style="color:#000000;"&gt;Dizendo que esquecera uma coisa&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
&lt;span style="color:#000000;"&gt;E finalmente levou o que restava&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
&lt;span style="color:#000000;"&gt;Meu coração que batia calado. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2040266667686250728-2374894332349327372?l=gavazzamarco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/feeds/2374894332349327372/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2040266667686250728&amp;postID=2374894332349327372&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/2374894332349327372'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2040266667686250728/posts/default/2374894332349327372'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gavazzamarco.blogspot.com/2007/10/letra-para-msica-de-cludia-cunha.html' title='Letra para música de Cláudia Cunha'/><author><name>Marco Gavazza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05983918374674130411</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
